Vários dias a fazer quimioterapia ao calor, porque o ar condicionado avariou em Elvas

Uma avaria no sistema de ar condicionado do Hospital de Elvas está a sujeitar os doentes oncológicos a temperaturas muito elevadas durante as sessões de quimioterapia

O problema arrasta-se há vários dias e estende-se a cirurgia e medicina. No Hospital de Elvas há zonas sem ar condicionado desde que as temperaturas subiram na semana passada a valores acima dos 40 graus. As queixas partiram dos familiares e são confirmadas ao DN por médicos e enfermeiros. A administração lamenta o transtorno para os pacientes e admite repor a normalidade "nas próximas horas". Mas já no ano passado o sistema tinha falhado no pino do verão.

As temperaturas acima dos 40 graus no Alentejo nos últimos dias foram fatais para o sistema de ar condicionado do Hospital de Santa Luzia, em Elvas. Uma avaria, que ainda está por resolver, deixou o hospital de dia, onde se realizam os tratamentos oncológicos, entregue a elevadas temperaturas.

"O calor lá dentro é praticamente igual ao calor que está na rua", testemunha o familiar de uma paciente, que garante ao DN ter apresentado queixa no livro de reclamações, depois ter assistido ao "desespero" dos doentes sujeitos à onda de calor enquanto faziam quimioterapia.

Porém, Jaime Azedo, representante da Ordem dos Médicos no distrito de Portalegre, alerta que perante a "falência" do sistema de ar condicionado seria recomendável encontrar uma solução. Sugere, por exemplo, que se optasse por outra ala do hospital que permitisse realizar as "terapêuticas que não fossem adiáveis".

O médico revela que vai tentar averiguar o que se está a passar "para evitar que o problema se repita", sustentando que "não se deve fazer estes tratamentos com más condições para os doentes".

Já Celso Silva, dirigente distrital do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), tomou conhecimento, nesta quarta-feira à tarde, pelos colegas de serviço no hospital que também medicina e cirurgia estão sem ar condicionado. "Para quem trabalha ali é muito mau, imagine-se para os doentes, que estão mais fragilizados", diz.

O dirigente sindical recorda que "além de a sala ser quente, ainda estão as máquinas em funcionamento, que também aquecem muito", sublinha, alertando - ainda com base nas informações dos colegas - para a possível falta de manutenção dos aparelhos, ao nível da limpeza e de mudança de filtros. "Quando há mais calor e o equipamento avaria, o problema atinge maiores dimensões, como se vê", lamenta.

Segundo Celso Silva, o hospital estará sem ar condicionado há cerca de uma semana, mas Ilídio Pinto Cardoso, porta-voz da ULSNA, garante que apenas na manhã de segunda-feira a administração tomou conhecimento do problema. "Enviámos logo os serviços de manutenção, dando prioridade ao hospital de dia, porque percebemos a dificuldade que é para os utentes", revela, admitindo que entre hoje e amanhã "a normalidade esteja reposta".

Mas a garantia não convence Guadalupe Simões, dirigente nacional do SEP, que usa o exemplo de Elvas para lamentar a falta de investimento em equipamentos hospitalares. "Já nos foram reportadas mais situações pelo país, mas os ares condicionados são prioritários em hospitais do Alentejo, onde o verão é tão quente e o inverno tão frio."

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