"Um gajo abusou de mim." Mais um caso no bar de Gaia onde foi violada mulher inconsciente

A alegada vítima de 18 anos não apresentou queixa. Acordou inconsciente na casa de banho, tal como a mulher de 26 anos que ali fora violada um mês antes.

Uma jovem de 18 anos terá sido abusada sexualmente no mesmo bar de Vila Nova de Gaia onde uma mulher de 26 anos foi violada na casa de banho por dois homens - a quem o Tribunal da Relação do Porto confirmaria a pena suspensa decidida antes pelo tribunal de Gaia, que atribuía aos agressores culpa mediana, e invocava um ambiente de "sedução mútua".

A agressão sexual à jovem de 18 anos terá acontecido um mês depois do caso que já foi conhecido, escreve neste sábado o jornal Público.

A alegada agressão no bar Vice Versa é revelada no relatório da Polícia Judiciária que integra o processo do primeiro caso. Os investigadores tiveram conhecimento deste segundo caso através de escutas telefónicas em que o barman, um dos agressores da vítima de 26 anos, evoca o episódio.

A vítima contou depois à PJ que após beber um shot servido pelo porteiro e relações públicas do bar "se apagou completamente", facto que achou estranho, pois estava habituada a beber, acrescentando que "a única explicação" é que a bebida tivesse outra substância. O relatório da PJ admite que as duas mulheres possam ter sido drogadas.

A vítima que, terá mandado chamar o barman, que conhecia, depois de acordar na casa de banho (como aconteceu com a primeira vítima) com um olho negro e o interior das coxas avermelhado, e de onde terá saído a cambalear, contou depois a um polícia municipal amigo da família, que também estivera no bar: "Um gajo abusou de mim". O alegado agressor foi depois identificado por ela como um rapaz ligado à gerência do bar, adianta ainda o Público. Todavia, no dia seguinte à alegada agressão, 29 de dezembro de 2016, a mulher não tinha qualquer memória da ocorrência e não chegou a apresentar queixa.

Outra das semelhanças entre os dois casos é o facto de ambas as jovens terem sido contactadas por pessoas ligadas ao bar, atitude interpretada como forma de averiguar a memória das vítimas.

O alegado agressor da jovem de 18 anos disse ao mesmo polícia municipal: "Foram só uns beijos. Não houve penetração, não se passou nada." A conclusão do relatório é que não é possível confirmar a agressão sexual. O alegado agressor não chegou a ser ouvido.

Ontem foi o terceiro dia de protestos, organizado pelo grupo feminista A Coletiva, com o mote "Mexeu com uma, Mexeu com Todas | Não à cultura da violação", que têm decorrido nos últimos dias em Coimbra e no Porto, e ontem em Lisboa.

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