Trabalhadores da EMEL protestam na quarta-feira por atualização salarial

Os trabalhadores da EMEL agendaram para quarta-feira uma concentração em frente à Câmara de Lisboa para exigirem a atualização dos salários, congelados há mais de nove anos, disse hoje à agência Lusa fonte sindical.

A concentração, com a participação do secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, decorre entre as 16:00 e as 17:00, numa altura em que para os Paços do Concelho está prevista a reunião pública da autarquia, na qual representantes dos trabalhadores esperam intervir.

Segundo Ana Pires, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), o sindicato entrou em negociações com a administração da EMEL - Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa - em setembro de 2018, com base no Acordo de Empresa assinado em julho de 2017, para aumentos salariais, congelados há mais de nove anos.

A proposta do CESP prevê um aumento do salário de 50 euros para todos os trabalhadores e 650 euros para o salário mínimo da tabela.

No entanto, segundo a sindicalista, depois de um conjunto de reuniões, a administração da EMEL afirmou que "só discute salários com o sindicato quando a CML der indicação de valor e de revisão salarial".

"Primeiro, não é possível. Existe contratação coletiva e os trabalhadores têm direito a negociar os seus salários no âmbito da contração coletiva e cabe ao sindicato e à administração da empresa fazer a negociação no âmbito deste contrato coletivo. Depois, é verdadeiramente vergonhoso que, após quase 10 anos de congelamento salarial e agora não havendo nenhum tipo de limitação, existindo contratação coletiva e uma empresa que faz lucros de milhões, esteja a querer negar aos seus trabalhadores um direito que é seu, de negociar os seus salários e ver os seus salários aumentados", considerou Ana Pires.

Os representantes dos trabalhadores esperam intervir na reunião pública da Câmara para pedir a intervenção do presidente Fernando Medina, "que, em última análise, é o responsável por todo este processo, visto que a Câmara tem a tutela da empresa".

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.