Descoberta fábrica de canábis na Maia com uma tonelada de plantas

Instalação com 600 lâmpadas térmicas e 500 balastros elétricos era alimentada com eletricidade roubada durante um ano.

Os detidos por cultivar, colher e comercializar ilicitamente canábis, em Matosinhos e na Maia, detinham "um sistema complexo e elaborado", demonstrando "experiência" na prática deste ilícito, disse o comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP/Porto.

Em conferência de imprensa na terça-feira, o intendente Rui Mendes adiantou que os sistemas associados ao cultivo do canábis, nomeadamente de rega, ventilação e extração, eram de uma "enorme sofisticação", dando como exemplo o sistema de extração, não só ao nível do próprio local, mas da projeção dos próprios gases para que quem morasse à volta não se apercebesse do cheiro.

Além disso, em termos de sistema elétrico, os suspeitos, dois homens e uma mulher, fizeram uma ligação direta e ilícita a um posto de transformação, causando à operadora elétrica um prejuízo de mais de três milhões de euros durante um ano, comentou.

No decorrer das buscas, que se realizaram segunda-feira, os agentes apreenderam num armazém na zona industrial da Maia, no distrito do Porto, cerca de uma tonelada de plantas e folhas de canábis em diferentes estados de maturação, material de cultivo, colheita e acondicionamento de droga.

Confiscaram também 3000 euros, um carro, 600 lâmpadas térmicas, 500 balastros elétricos e cerca de 10 000 ventiladores.

Por estes motivos, a PSP acredita que os detidos, com idades entre os 35 e 50 anos, de nacionalidade estrangeira e sem grau de parentesco, e que foram detidos em flagrante delito, têm "experiência" na prática deste ilícito criminal.

Sem atividade profissional, Rui Mendes revelou ter pedido cooperação internacional para confirmar a existência ou não de antecedentes criminais.

O comandante acredita ainda que existam "vários níveis" de responsabilidade neste grupo que poderá ser maior.

"Admitimos que haja mais pessoas envolvidas, estando a desenvolver mais diligências, nomeadamente na comercialização da droga", reforçou.

Podendo a investigação vir a envolver mais detidos, o intendente esclareceu ainda que, nesse sentido, poderão igualmente surgir novos crimes.

Contudo, neste momento, está apenas em causa tráfico de estupefacientes, vincou.

A operação de detenção, que envolveu 50 agentes, é das maiores operações da Divisão de Investigação Criminal em matéria de tráfico de droga, revelou Rui Mendes.

Os suspeitos vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial na quarta-feira de manhã, no Tribunal da Maia.

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