Sindicato dos Enfermeiros Portugueses admite novas formas de luta

Terminou sem acordo a reunião suplementar entre o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e o Ministério da Saúde. Estrutura sindical diz estar agora "em fase de protesto"

Sem acordo. Foi assim que terminou a reunião suplementar desta quarta-feira entre o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e o Ministério da Saúde. A estrutura sindical diz estar agora "em fase de protesto" e admite novas formas de luta. "Encerrado o processo negocial, iremos intervir noutros patamares, onde a proposta de diploma há de percorrer, neste caso primeiro-ministro e Presidente da República", afirmou aos jornalistas, José Carlos Martins, presidente do SEP, no final do encontro.

De acordo com o sindicalista, não houve avanços nas reivindicações salariais dos enfermeiros. "Ou seja não altera o valor inicial quando 'acabo o curso e começo a trabalhar', o valor inicial dos enfermeiros especialistas é abaixo do que o Ministério paga a outros que têm o mestrado e, nesse quadro, discrimina os enfermeiros", explicou José Carlos Martins que lamenta ainda o facto de não terem sido introduzidos "mecanismos de compensação do trabalho por turnos".

Ministério cede na criação da categoria de enfermeiro especialista

Na reunião negocial anterior, em 17 de janeiro, o governo fez algumas cedências aos profissionais - como a criação da categoria de enfermeiro especialista e o descongelamento das progressões na carreira - mas não em todas as reivindicações sindicais, que incluem também aumentos salariais e a antecipação da idade da reforma.

No mesmo dia, a ministra da Saúde, Marta Temido, advertiu que o Governo tem "linhas vermelhas" nas negociações com os enfermeiros, porque não pode pôr em causa a "sustentabilidade financeira" de Portugal e tem de tratar com equidade todas as profissões.

Nova "greve cirúrgica" depende de resultado da reunião

A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), os dois sindicatos que convocaram a greve cirúrgica, que terminou no final do ano passado, reúnem-se também com o Ministério da Saúde esta quarta-feira.

As duas estruturas sindicais suspenderam uma nova greve cirúrgica, marcada de 14 de janeiro a 28 de fevereiro, mas já admitiram reativar a paralisação caso não cheguem esta quarta-feira a um acordo definitivo com a ministra da Saúde, Marta Temido.

Numa mensagem aos seus sindicalizados, a ASPE disse que "levantará de imediato a suspensão da greve caso o Governo mostre falta de empenho nas negociações ou uma posição irredutível que desrespeite" as reivindicações dos enfermeiros.

O movimento de enfermeiros denominado "Greve Cirúrgica", já recolheu mais de 420 mil euros para ajudar a financiar os profissionais que façam greve, através de uma recolha de fundos.

Na primeira greve cirúrgica, que decorreu entre 22 de novembro e o final de dezembro passado, este movimento tinha conseguido recolher mais de 360 mil euros para apoiar os colegas em greve, compensando-os por deixarem de receber ordenado.

Estima-se que a greve que terminou no fim de dezembro tenha levado ao adiamento de cerca de oito mil cirurgias programadas, segundo dados oficiais.

Com Lusa.

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