Telefone da Santa Casa não pára. Muitas famílias a quererem ficar com o bebé

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem recebido muitos telefonemas de famílias a disponibilizarem-se para ficarem com o bebé. Mas têm de passar pelo projeto Acolhimento Familiar, que já tem uma campanha de sensibilização lançada hoje.

O telefone da Santa Casa da Misericórdia não tem parado nos últimos dias, desde que se soube que um bebé foi encontrado no contentor do lixo, na Av. Infante D. Henrique, junto a Santa Apolónia.

São famílias a disponibilizarem-se para o receber até ser decidido o seu futuro. "É bom sinal", comentaram ao DN, mas não é assim. As pessoas estão a ser encaminhadas para o projeto que a Santa Casa tem e que hoje lançou uma campanha para recrutamento, formação e acompanhamento de famílias de acolhimento.

Neste momento, e graças a este projeto, a Santa Casa tem já três famílias formadas e preparadas para receberem o bebé. No entanto, e como referiu ao DN o provedor Edmundo Martinho, o acolhimento familiar é o desejável, mas é preciso saber também quais são as circunstâncias que rodeiam esta criança e se é a solução adequada.

Edmundo Martinho sublinhou que a Santa Casa está preparada para acolher o bebé, mas que ainda não recebeu qualquer notificação do tribunal para o fazer, mas tal é o esperado já que é a entidade que tutela o acolhimento de menores em Lisboa.

Hoje mesmo a Santa Casa lançou uma campanha destinada a sensibilizar famílias para receber crianças, e Edmundo Martinho sublinhou que este recém-nascido deveria ser encaminhado para uma família de acolhimento. Outra possibilidade é o acolhimento residencial, isto é, ser encaminhado para uma instituição.

A situação legal do bebé, que se encontra clinicamente estável, internado na Maternidade Alfredo da Costa, está nas mãos do Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Lisboa que, esta quinta-feira, informou que instaurou um processo de promoção e proteção a favor da criança.

Este era o passo seguinte para proteger uma criança encontrada numa situação de perigo. A partir daqui as decisões caberão a um juiz do mesmo tribunal no sentido se se avança ou não para a identificação dos progenitores e de familiares e qual a medida de acolhimento indicada para a criança, havendo duas soluções ou família de acolhimento ou acolhimento residencial (instituição).

Ou seja, a criança, ainda hospitalizada, neste momento nos cuidados neonatais da Maternidade Alfredo da Costa - está estável e deverá ter alta nos próximos dias - e poderá ser encaminhada para uma família de acolhimento ou para uma instituição.

Esta madrugada, a Polícia Judiciária "identificou, localizou e deteve" uma mulher sem-abrigo de 22 anos que é suspeita de ter tentado matar o bebé. A mulher vivia em condições de miséria absoluta", confirmou ao DN fonte ligada à investigação.

A localização da mãe do bebé era prioridade absoluta para os responsáveis da Diretoria de Lisboa da PJ, pelo que a noite foi passada em claro pela equipa, que esteve no terreno até localizar a mulher.

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