Rui Pinto vai ser extraditado para Portugal. Hacker vai recorrer

O denunciante português do Football Leaks, sobre casos de corrupção no futebol, pediu ao tribunal que não o extradite para Portugal.

O português Rui Pinto ficou terça-feira a saber que vai ser extraditado pela justiça húngara para Portugal, apesar do seu apelo para permanecer em Budapeste.

A defesa de Rui Pinto anunciou a seguir que vai recorrer da decisão judicial.

"É uma questão de vida ou de morte" não ser extraditado para Portugal, alegou o denunciante do Football Leaks, dossier que envolve vários casos de corrupção no futebol português e internacional.

A sentença de extraditar Rui Pinto para Portugal abrange igualmente os equipamentos eletrónicos que lhe foram apreendidos.

Rui Pinto - que recusa ser qualificado como pirata informático - argumentou perante a juíza do Tribunal Metropolitano de Budapeste que é "um alvo a abater" por parte de quem está envolvido nos negócios que ele denunciou e que em Portugal não estará seguro.

As autoridades portuguesas acusam-no da prática de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e ainda uma tentativa de extorsão.

Em causa o seu acesso aos sistemas informáticos do Sporting Clube de Portugal (SCP) e do fundo de investimento 'Doyen Sports' - sedeado em Malta - que lhe permitiram divulgar documentos confidenciais como contratos de jogadores do SCP e do então treinador Jorge Jesus ou celebrados entre a 'Doyen' e várias sociedades anónimas ligadas ao futebol.

O português está em prisão domiciliária desde janeiro, no âmbito de um pedido de detenção europeu do Ministério Público português.

"Vivo em Budapeste desde fevereiro de 2015. Os factos foram cometidos em território húngaro. Nunca recebi nenhum valor monetário pelo que fiz. Tudo o que fiz foi pelo interesse público, porque era necessário expor e levar as autoridades europeias a aperceberem-se da criminalidade à volta do futebol", afirmou Rui Pinto em tribunal, segundo a edição online do Correio da Manhã.

"Em Portugal há o [caso] e-toupeira, de certeza que já ouviu falar sobre isso. São vários os casos. Não posso nem é possível confiar nas autoridades portuguesas", sublinhou.

"As autoridades portuguesas nunca me tentaram contactar. Sabem a minha morada registada em Portugal, o meu número de telemóvel, mas nunca me enviaram uma carta. Peço à juíza que não me envie para Portugal. É uma questão de vida ou de morte", apelou Rui Pinto.

A 13 de fevereiro, o tribunal rejeitara o recurso do Ministério Público húngaro para colocar Rui Pinto em prisão preventiva, mantendo o português em prisão domiciliária enquanto aguardava o desenrolar do processo de extradição para Portugal.

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