Rui Patrício diz que "já não havia relação" com Bruno de Carvalho

O futebolista Rui Patrício revelou que "já não havia relação" com Bruno de Carvalho, após o 'post' do jogo em Madrid a criticar o plantel, que teve como objetivo "tentar virar os adeptos contra os jogadores".

Rui Patrício, ouvido por Skype na 16.ª sessão do julgamento da invasão à academia 'leonina', em Alcochete, que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, foi questionado sobre a reunião de 07 de abril de 2018, entre o plantel e Bruno de Carvalho, dois dias após a derrota com o Atlético de Madrid, e o 'post' publicado na rede social Facebook pelo antigo presidente do clube, a criticar os jogadores.

"A reunião decorreu num ambiente muito mau. Na nossa opinião ele esteve mal e queríamos que explicasse porque escreveu o 'post'. Ele disse que era o presidente e que fazia o que quisesse. Eu e o William éramos os que estávamos a falar mais e ele respondeu: 'vocês estão a fazer isso porque querem ir embora do clube'. Mas falamos enquanto capitães, a representar o grupo. Acabou a reunião e não se retirou nada dali", descreveu o antigo guarda-redes 'leonino'.

Nessa reunião, acrescentou, William Carvalho acusou Bruno de Carvalho de ordenar que elementos da claque Juventude Leonina (JL) partissem os carros dos jogadores.

"O William disse que o Mustafá [arguido e líder da claque JL] lhe tinha dito que o presidente tinha mandado partir os carros dos jogadores, mas o presidente negou. Disse que se quisesse bater em alguém não precisava de ninguém. A reunião acabou, o presidente saiu, mas depois regressou com o telemóvel em alta voz com o Mustafá e perguntou: 'diz lá se mandei partir os carros de alguém'. E o Mustafá disse que não", contou o guarda-redes.

Para Rui Patrício, o 'post' de Bruno de Carvalho a criticar o plantel tinha como objetivo virar os adeptos contra os jogadores, acrescentando que, desde essa reunião, nunca mais respondeu às mensagens do presidente.

O atleta esteve também na reunião na véspera do ataque à academia, entre o plantel e Bruno de Carvalho, na qual estiveram presentes outros elementos do Conselho de Administração.

A reunião decorreu em 14 de maio de 2018, no dia seguinte à derrota do Sporting contra o Marítimo por 2-1, que significou a perda do segundo lugar do campeonato para o Benfica e levou à troca de palavras entre jogadores e elementos da claque Juventude Leonina, nomeadamente envolvendo o jogador Acuña, primeiro no relvado, após o jogo, e depois no Aeroporto do Funchal.

Nesta reunião, segundo o antigo capitão do Sporting, o então presidente do clube teve um comportamento "completamente diferente e estranho" face às reuniões anteriores.

"[Teve uma postura] Completamente diferente. Todo o conteúdo e a forma de falar em relação às outras reuniões, ao 'post'. Esse comportamento de Bruno de Carvalho foi estranho. Não havia relação com o presidente já. Começou a falar e uma das coisas que ele diz já no final dessa reunião foi: 'se vocês precisarem de alguma coisa, liguem para mim ou para o Geraldes. Estou aqui para vocês, nós somos uma família, nós estamos aqui para vocês'", contou o atleta.

Rui Patrício relatou que Bruno de Carvalho "virou-se para o Acuña" e perguntou 'porque é que fizeste isso, agora tenho um tremendo problema para resolver, estiveram toda a noite a ligar, mas vou tentar resolver'.

O ex-capitão do Sporting contou ainda que nessa reunião Bruno de Carvalho quis saber se o plantel estava apto para jogar a final da Taça de Portugal contra o Desportivo das Aves, marcada para o domingo seguinte, 20 de maio.

"O jogo foi triste ontem [contra o Marítimo], não conseguimos o objetivo, mas agora o jogo é outro, é a final da Taça [de Portugal]. Aconteça o que acontecer, vocês vão estar bem para jogar a final da Taça? Eu interpretei que iria haver mudança de treinador", referiu Patrício, atualmente nos ingleses do Wolverhampton.

O julgamento prossegue na terça-feira com a inquirição, de manhã, do jogador Ruben Ribeiro, atualmente ao serviço do Gil Vicente, e, de tarde, do treinador Jorge Jesus, que vai testemunhar por videoconferência, a partir das 14.00, do Tribunal de Almada.

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