464 recuperações de covid-19 em 24 horas. Dia com mais curados de sempre

O país registou, no último dia, mais 19 vítimas mortais por causa do novo coronavírus e 224 novos casos de infeção, segundo o boletim da DGS. Internados voltaram a sofrer queda acentuada.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 19 pessoas e foram confirmados mais 234 casos de covid-19. Mas o número que se destaca mais no boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta terça-feira (12 de maio), é o de recuperados. No último dia, foram dadas como curadas mais 464 pessoas - o maior aumento diário desde o início da pandemia no país, que tem agora no total 27913 infetados, 3013 recuperados e 1163 vítimas mortais.

Os curados portugueses representam agora 10,8% do total de infetados. Percentagem que diz "respeito à informação proveniente dos hospitais", explicou a diretora-geral da Saúde, em resposta ao DN, durante a habitual conferência de imprensa no ministério. Sendo que mais de 80% dos doentes estão a ser tratados em casa. "Sabemos que uma grande maioria das pessoas permaneceu no seu domicílio. Estamos a desenvolver metodologias para que os médicos de medicina geral e familiar que acompanharam doentes em residência registem numa plataforma credível a recuperação", informou Graça Freitas.

Os novos dados demonstram também um aumento de 0,8% nos casos de infeção em relação ao boletim apresentado na segunda-feira.a taxa de letalidade global está agora em 4,2%, aumentando para 15,3% na faixa etária acima dos 70 anos. Dos 1163 óbitos, 48,7% são homens e 51,3% mulheres.

Esta terça-feira, estão internados 709 doentes (menos 96 que ontem), destes 113 encontram-se nos cuidados intensivos (mais um).

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 2719 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 27 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 42% dos doentes), seguida da febre (30%) e de dores musculares (21%).

Entre os infetados, estão 3148 profissionais de saúde, segundo dados, referentes a domingo, divulgados hoje pelo secretário de estado António Lacerda Sales, em conferência de imprensa. São 468 médicos, 834 enfermeiros, 760 assistentes operacionais e 150 assistentes técnicos.

Lisboa é a região com mais casos em 24 horas. Norte a que tem mais mortes

Dos 224 infetados notificados no último dia, 178 têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo. Nesta zona morreram também seis das 19 vítimas mortais declaradas hoje. No total, Lisboa tem agora 7494 casos e 254 óbitos.

Mas foi no Norte (a zona mais afetada pelo vírus desde o início do surto), que se registaram mais mortes, nas últimas 24 horas. São nove óbitos (do total de 19) e 45 casos. A região tem agora 16053 infetados e 660 vítimas mortais.

No Centro morreram mais três pessoas (e foram notificados mais oito casos) e no Açores mais uma (região sem novos doentes). No Sul há mais dois casos e no Alentejo mais um. Só a Madeira não regista, mais uma vez, alterações na situação epidemiológica.

A nível municipal Lisboa continua a ser o concelho do país com maior número de casos (1 791, mais 54). Seguem-se Vila Nova de Gaia (1 458, mais três) e o Porto (1 304 mais um), de acordo com os dados do sistema Sinave, que correspondem a 88% do número total de notificações.

Profissionais de saúde autorizados a gozar férias

Este terça-feira, o Governo revogou o despacho de 15 de março que restringia o gozo de férias pelos profissionais de saúde, anunciou o secretário de estado da Saúde, durante a conferência de imprensa. "Está novamente autorizado o gozo de férias, desde que não ponha em causa o serviço", disse António Lacerda Sales, acrescentando um elogio ao trabalho destes profissionais, nomeadamente, ao dos enfermeiros, no dia internacional da classe.

O governante saudou "o enorme contributo ao país", sublinhando que os 46 mil enfermeiros do SNS "têm sido cruciais" no combate à pandemia, além de todo o outro trabalho fundamental que realizam nas unidades de saúde.

Segunda vaga de covid é "muito provável", dizem especialistas. Governo garante ter "uma almofada de preparação"

O especialista principal do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) admitiu, em entrevista à agência Lusa, ser "muito provável" ocorrer uma segunda vaga de contágios de covid-19, estimando que, apesar de os países estarem melhor preparados, o número de casos graves e de morte pode não diminuir. "Não penso que a mortalidade ou a mobilidade da doença mostre qualquer tipo de mudança, pelo que se houver uma segunda vaga, os números de mortes e de pessoas em cuidados intensivos será mais ou menos na mesma proporção do que temos agora, segundo o que conseguimos perceber", sustenta Sergio Brusin.

"Vimos em situações anteriores, com outras pandemias, que se registaram segundas vagas e temos de considerar que este é um vírus completamente novo", continua o especialista do ECDC.

Questionado pelo DN, durante a conferência, sobre como Portugal se está a preparar para esta possibilidade, o secretário de estado da Saúde mencionou que não existem "valores probabilísticos definidos". Embora reconheça novamente que pode vir a acontecer. Se for o caso, garante que Portugal "tem uma almofada de preparação para esta situação", citando de seguida o primeiro-ministro, quando António Costa referiu: "Se for preciso dar um passo atrás, daremos com certeza um passo atrás".

António Lacerda Sales fala em planos preparados e apela à contribuição dos portugueses, através do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias. Sobre os planos referidos diz que se trata da retoma de medidas entretanto abandonadas. "Estaremos preparados", reforça.

Vacina da BCG não concede proteção evidente para a covid

Sobre a questão de haver muitos pais a pedir que os filhos sejam vacinados com a vacina do BCG, a diretora-geral de Saúde disse que que não está comprovado que esta seja eficaz no combate à covid-19 e, por isso, não faz parte das recomendações. Apenas as crianças de risco devem ser vacinadas.

Graça Freitas também referiu que os rastreios nas escolas não são prioritários: Mantêm-se as três prioridades definidas: lares, prisões e creches.

Peregrinação em Fátima começa hoje, sem peregrinos

A peregrinação internacional de maio começa, esta terça-feira, à noite (21:30), no santuário de Fátima. Mas, pela primeira vez na sua história, a celebração faz-se sem o número habitual de turistas e peregrinos por causa da pandemia da covid-19.

Presentes na Capelinha das Aparições estarão apenas as pessoas diretamente ligadas à celebração. Aos fiéis, o santuário pede que acendam uma vela e coloquem-na à janela de suas casas, repetindo "um dos gestos mais icónicos de Fátima".

A oração do rosário será transmitida pelo site do santuário, pelo canal de YouTube e na página de Facebook. Segue-se a Procissão de Velas, com um trajeto mais curto e solitário.

Mais de 4,2 milhões de casos no mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 4,2 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta terça-feira às 11:01, segundo dados oficiais. Há agora um milhão e meio de recuperados e 287 622 mortes a registar.

Os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (1 385 893) e de mortes (81 796). Em termos de número de infetados, seguem-se a Rússia (232 243), Espanha (228 030), o Reino Unido (223 060) e a Itália (219 814). Portugal surge em 23.º lugar nesta tabela, confirmando um afastamento face aos países com mais casos.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Reino Unido é agora a nação com mais mortes declaradas (32 065). Seguem-se Itália (30 739) e Espanha (26 920 - mais 176 vítimas nas últimas 24 horas).

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