Passageiros revoltados. Vidros partidos e gritos no terminal de barcos do Barreiro

Os passageiros forçaram a entrada no terminal de barcos. A polícia marítima teve de intervir. "As pessoas estão no limite", diz José Encarnação, da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro

Passageiros revoltados forçaram esta sexta-feira a entrada no terminal de barcos no Barreiro, depois de terem sido suprimidas algumas carreiras, alegadamente por insuficiência de mestres, disse à Lusa a sindicalista Ana Avoila.

De acordo com a coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, a supressão de carreiras de barcos entre o Barreiro e o Terreiro do Paço e entre Lisboa e o Barreiro tem sido recorrente desde há uns meses e "as pessoas estão a chegar a um limite".

Esta sexta-feira, passageiros tentaram invadir o terminal, partindo acessos, como se vê em imagens partilhadas em grupos de utentes nas redes sociais, levando à intervenção da Polícia Marítima.

"As pessoas veem-se aflitas, porque chegam tarde aos trabalhos e a tudo aquilo que têm de fazer, as pessoas estão ali numa pilha de nervos. (...) Hoje deu para partir vidros, para as pessoas gritarem, houve uma pessoa que desmaiou, forçaram as portas, veio a Polícia Marítima... Isto é recorrente", explicou.

Administração emitiu comunicado

Segundo Ana Avoila, hoje, a situação "foi mais grave, porque houve um comunicado da administração a dizer quais as carreiras que eram suprimidas por insuficiências de mestres, mas houve mais carreiras suprimidas além das anunciadas".

"Cada dia que passa piora. A ideia que temos é que a administração da Soflusa se prepara para reduzir carreiras definitivamente e não contratar mais pessoal. É bom que o Governo tome medidas e que adaptem os horários de forma que as pessoas saibam os horários que têm. Isto está a ser um escândalo", acrescentou.

José Encarnação, da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro (CUSPAS), confirmou que esta situação de falta de barcos é recorrente por falta de pessoal para a condução de navios.

"As pessoas estão no limite. Há muita gente que está a enfrentar problemas no trabalho, porque, por falta de transporte, não consegue chegar a tempo. E não é um dia, são muitos dias", salientou.

De acordo com o representante dos utentes, a empresa precisaria de 21 mestres para movimentar os navios, mas atualmente tem 16 e também os mestres e marinheiros estão a chegar a um limite, devido às horas extraordinárias que têm feito nos últimos meses.

A Lusa tentou contactar a Administração da Soflusa mas não foi possível.

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