Os ladrões gostam é de volantes dos BMW

Não é só carros da BMW que os assaltantes gostam de roubar, mas nenhuma outra marca supera o número de volantes roubados em veículos desta marca.

Já houve um tempo em que se roubavam rádios e antenas dos carros, as estrelas dos símbolos dos Mercedes Benz e as jantes de todos os modelos, mas nos últimos tempos há uma outra peça que atrai o roubo: os volantes. Principalmente, os da marca BMW. Tanto que as queixas junto da PSP dispararam para números inéditos.

Os ladrões de volantes dos BMW não costumam estragar os carros, deixando mesmo o automóvel roubado de portas fechadas após subtraírem a peça fundamental para a condução. O processo é simples, explica uma recente vítima desta nova moda de roubos automóveis: "Clonam a frequência que abre a porta do veículo, desapertam o parafuso que prende o volante à coluna e facilmente desligam as ligações eletrónicas." No caso deste proprietário, diz, "até me deixaram os parafusos para apertar o novo volante".

Além de ficar impossibilitado de conduzir, o grande prejuízo destes assaltos é o custo de substituição do volante. Os da BMW custam em média 3000 euros, em muito devido aos grande número de comandos aí instalados, um preço que pode baixar se o condutor optar por ir ao mercado paralelo comprar um substituto. É que, apesar de a maioria dos volantes serem roubados por encomenda, acreditam as autoridades, não faltam locais onde os encontrar abaixo dos mil euros no mercado negro.

A maior parte dos volantes roubados têm sido em carros da região norte, mas não faltam queixas abaixo de Coimbra e em Lisboa. Um elevado número de assaltos nacionais que contribuem para a média europeia, sendo que o Porto é a cidade que nos últimos cinco anos tem um o mais alto valor de roubos de carros, seguida por Lisboa e Setúbal.

A marca BMW tem sido uma das maiores vítimas dos profissionais do roubo de automóveis, sendo que a sofisticação cada vez maior dos seus modelos é acompanhada a par e passo pelos ladrões. Recentemente, houve duas reportagens que mostravam como o proprietário pode perder o seu BMW em pouco tempo. Na primeira, um grupo de russos mostravam como em 60 segundos se apropriavam de um modelo X6, usando no final um clip que ligava o motor. A segunda, era mais lenta, mas em três minutos desbloqueavam a parte eletrónica e partiam com o carro roubado. Diga-se que a BMW é apenas uma das marcas que são visadas, mas não a única.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.