Ordem dos Médicos saúda adiamento de atos menos urgentes nos hospitais

Esta decisão, segundo a Ordem, liberta os médicos, outros profissionais, equipamentos e camas para os casos prioritário e aqueles, também prioritários relacionados com o covid-19.

A Ordem dos Médicos saudou este sábado os conselhos de administração dos hospitais por decidirem adiar todos os atos menos urgentes à semelhança do que já tinha feito o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto.

"Ao adiar todas as cirurgias, exames e consultas não urgentes e impor controlo de temperatura no início e fim de cada turno, o CHUSJ está a dar um importante contributo para proteger todos os doentes, aqueles que são adiados e os que precisam de estar internados, mas também os profissionais que continuam a trabalhar", é referido numa nota da Ordem.

Esta decisão, segundo a Ordem, liberta os médicos, outros profissionais, equipamentos e camas para os casos prioritário e aqueles, também prioritários relacionados com o covid-19.

Nesse sentido, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, pede a todas as instituições de saúde do país que sigam o exemplo.

Na nota, Miguel Guimarães manifestou-se também satisfeito com a atitude de todos os hospitais em abolir o controlo biométrico durante o período crítico de emergência de saúde pública.

"Existem outras formas de controlar a assiduidade dos profissionais de saúde pelo que seria, no mínimo, imprudente manter um procedimento que é feito várias vezes ao dia e que constitui um foco de infeção", salienta o bastonário.

Miguel Guimarães lembra ainda que a "abolição do controlo biométrico através do dedo faz parte do plano de contingência da Assembleia da República, sendo que a medida faz ainda mais sentido em locais como os hospitais ou centros de saúde".

Na sexta-feira, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (OM) exortou os conselhos de administração dos hospitais públicos e privados a adiarem as cirurgias não urgentes e não oncológicas para libertar espaço devido à covid-19.

"Atendendo à declaração do estado de emergência sanitária em que nos encontramos, exortamos os conselhos de administração dos hospitais públicos e privados a adiarem, desmarcarem ou realizarem as consultas de modo não presencial sempre que possível, a adiarem as cirurgias não urgentes e não oncológicas e a cancelarem meios complementares de diagnóstico", disse António Araújo.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho Regional do Norte da OM defendeu que o adiamento de cirurgias deve ser feito quando "o médico responsável ou diretor de serviço considere não colocar em causa a segurança do doente".

Estas recomendações têm como objetivo, acrescentou o responsável, "libertar espaços nos hospitais e libertar os profissionais de saúde" para os momentos que António Araújo estima que serão "muito exigentes".

Na sexta-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos defendeu também que este é o momento de os hospitais do setor privado, social e militares se unirem ao Serviço Nacional de Saúde, que deve coordenar a resposta à covid-19.

Defendeu também o estabelecimento de "um protocolo especial de emergência" com o setor privado e social para também ajudarem nesta luta contra o novo coronavírus.

O novo coronavírus responsável pela covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 5.300 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar a doença como pandemia.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou hoje o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (34), ao passar de 78 para 112, dos quais 107 estão internados.

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