Morreu Manuela Silva: uma vida a combater a desigualdade e a pobreza

A professora catedrática convidada do ISEG Manuela Silva, que foi secretária de Estado para o Planeamento no I Governo constitucional, pioneira no estudo da desigualdade e pobreza, morreu esta segunda-feira. Tinha 87 anos.

O velório do corpo de Manuela Silva (1932-2019) decorre esta terça-feira, ao final da tarde, na Igreja da Ressurreição, em Cascais, tendo o funeral lugar na quarta-feira (9 de outubro, às 14:00), refere o ISEG.

Agraciada com a Grã-Cruz do Infante D. Henrique em 2000 pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, Manuela Silva desempenhou vários cargos na Administração Pública ao longo da sua vida, tendo sido secretária de Estado para o Planeamento no I Governo constitucional (1976-77), integrando ainda diferentes grupos de peritos no âmbito da União Europeia, Conselho da Europa e OIT - Organização Internacional do Trabalho.

Em 2013 recebeu o Doutoramento 'honoris causa' pela Universidade Técnica de Lisboa.

"O ISEG presta-lhe homenagem, reconhecendo, publicamente, a sua especial distinção como nossa estudante, professora catedrática convidada, presidente do Conselho Pedagógico, diretora da Revista de Estudos de Economia, membro fundador do CISEP e Doutora Honoris Causa pela então Universidade Técnica de Lisboa", refere a instituição.

Na sua intervenção cívica, presidiu a Comissão Nacional Justiça e Paz, destacando-se o trabalho pioneiro desenvolvido no estudo da pobreza e das desigualdades em Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa fala numa "vida dedicada a causas de grande relevância económica e social, nas quais se incluem a justiça social, luta contra a pobreza e defesa dos Direitos Humanos", de acordo com a Ecclesia, agência de notícias da Igreja Católica.

Segundo o presidente da CNJP, Comissão Nacional Justiça e Paz, Manuela Silva "não quis desperdiçar nenhum momento da sua vida, nem mesmo os últimos, ao serviço da missão a que se sentia chamada por Deus".

Manuela Silva foi presidente do Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, fundadora e presidente vitalícia da Fundação Betânia e coordenou o Grupo Economia e Sociedade (GES).

"Foi pioneira no estudo do desenvolvimento comunitário em Portugal e no estudo da desigualdade e da pobreza. A ela se deve a coordenação dos primeiros estudos científicos sobre a pobreza realizados em Portugal nos anos 80. Ao longo da sua carreira publicou diversos livros e estudos sobre a economia e a sociedade em Portugal, nos quais revelou sempre uma profunda preocupação com os problemas do desenvolvimento, com as desigualdades, a injustiça social e as diversas formas de pobreza e de exclusão social", refere o ISEG.

"Com grande consternação, acabo de ser informado do falecimento de Manuela Silva. Economista de grande mérito e académica por excelência, Manuela Silva destacou-se no combate às desigualdades, tendo sido, até ao seu desaparecimento, uma das vozes mais importantes na temática da pobreza, em cuja erradicação se empenhou particularmente", escreve Ferro Rodrigues numa nota de pesar enviada à agência Lusa.

O presidente da Assembleia da República acrescenta que "em todas as organizações por que passou, bateu-se sempre por mais e maior justiça, pela paz. Em todas defendeu que não existe desenvolvimento sem combate à pobreza e às desigualdades. O falecimento de Manuela Silva constitui uma perda para Portugal"

A Comissão Nacional Justiça e Paz também lamenta a morte de Manuela Silva, e escreve que "ficará para sempre em nós marcado o seu testemunho de dedicação constante e incansável às causas da Justiça e da Paz, inspirada no Evangelho e da doutrina social da Igreja. Essa dedicação abarcou os âmbitos académico, social, político e eclesial. Sempre teve uma atenção especial à causa do combate à pobreza como violação dos direitos humanos".

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