Portugal passou os 58 mil infetados. Mais 244 novos casos nas últimas 24 horas

Infetados são agora 58 012 no total. Mortes são já 1822, três nas últimas 24 horas. Internamentos aumentaram e são agora 349.

Nas últimas 24 horas, foram confirmados 244 novos casos de covid-19 em Portugal. O número de infetados desde o início da pandemia sobe assim para 58 012. O total de vítimas mortais é agora de 1822, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado nesta segunda-feira (31 de agosto).

Portugal ultrapassou assim a barreira dos 58 mil infetados desde o início da pandemia. Há ainda mais 76 doentes que recuperaram da covid-19, o que significa que 41 961 pessoas já superaram o vírus. O número de doentes internados continua a subir: são agora 349. Já não estavam tantas pessoas internadas desde 13 de agosto. Nos cuidados intensivos estão agora 41 infetados.

Lisboa e Vale do Tejo voltou a ser a região com mais novos casos diários: 137 novas infeções (56,15%), face aos 83 da região norte, que tinha liderado as novas infeções nos últimos dois dias. Segue-se o centro, o Alentejo e o Algarve, com mais sete casos cada um. Os Açores registaram mais três infeções e a Madeira não teve qualquer novo caso.

No total semanal, Lisboa voltou a ser a cidade que registou a maior subida de novos casos, com mais 143 pessoas infetadas, num total de 5087 no concelho desde março. Na região do norte, foi Braga o concelho que mais novos casos (55) registou.

A taxa de letalidade global é de 3,1% e acima dos 70 anos é de 15,2%. "Se tivesse de escolher uma palavra para definir a fase em que estamos agora, seria preparação. Estamos mais preparados", assegurou António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, na conferência de imprensa de atualização do boletim de infetados.

Os doentes que estão no domicílio vão passar a "fazer autorreporte, o que vai avaliar a pressão sobre os profissionais de saúde, nomeadamente os médicos de família". O controlo caseiro será feito através de uma plataforma na qual os doentes que estão bem são inscritos para que a equipa de saúde os contacte. Haverá para isso uma "triagem" feita pelas equipas médicas, que irão decidir se o doente tem condições para ficar em autorreporte, depois de avaliar, entre outras coisas, o quadro clínico, ter menos de 60 anos e capacidade de usar ferramentas tecnológicas.

Esta medida pretende libertar alguns profissionais de saúde para o atendimento e apoio. Desde o início da pandemia, já foram contratados cerca de 4500 profissionais de saúde.

O governante revelou ainda que "em agosto foram feitos em média cerca de 13 700 testes por dia". Portugal passou assim a barreira dos dois milhões de teste à covid-19.

Isolamento de 14 para 10 dias?

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, confessou que a comunidade científica tem expectativa de que seja estabelecido um novo período de isolamento recomendado abaixo dos 14 dias, com base em alguns estudos que revelam "que o período de contágio é muito pequeno a partir dos dez dias do início de sintomas ou de contacto com um caso doente". Na opinião da diretora-geral da Saúde, "seria extraordinariamente positivo poder diminuir o período de isolamento das pessoas de 14 para dez dias". Isto "se houver evidência científica robusta".

Os 14 dias correspondem ao número máximo de dias atualmente considerado para incubação pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A diretora-geral da Saúde lembrou ainda que família não é sinónimo de imunidade. "Não vamos juntar-nos todos só porque somos da mesma família. E tem acontecido isso. Por serem da mesma família pensam que têm um escudo invisível que as protege e que podem juntar-se todos no mesmo espaço e ao mesmo tempo, mas não é assim. Basta uma pessoa estar doente para contagiar 20, 30 familiares", avisou Graça Freitas, admitindo que "houve um ligeiro aumento nos últimos dias, mas é controlado" e já era esperado.

E já depois de António Costa ter dito na rentreé do PS, nesta segunda-feira, em Coimbra, que o regresso às aulas será o grande teste à sociedade desde o início da pandemia e que nenhuma escola irá fechar por haver um ou outro caso de covid-19, António Lacerda Sales frisou que o regresso às escolas, assim como o regresso ao trabalho, deve ser feito "com a maior das cautelas" e com a certeza de que a "mobilidade, sendo maior, aumenta o risco".

O secretário de Estado garantiu que está a ser preparado "um manual que fará a ligação entre autoridades locais de saúde e diretores de agrupamentos que será muito útil para saber o que deve ser feito em cada situação".

Plano da Festa do Avante! dominou atenções após críticas de Marcelo

A Festa do Avante! dominou a conferência de imprensa. A Direção-Geral da Saúde (DGS) revelou o parecer técnico para a realização do evento, que enviou, no domingo, aos promotores da festa do PCP, horas depois de o Presidente da República ter criticado a ausência​ do parecer a cinco dia do evento. "Estamos a cinco dias da realização [da Festa do Avante!] e não se conhece a posição das autoridades sanitárias sobre as regras que entendem que devem presidir à realização. Isto é, não há conhecimento atempado, não há clareza, e não se pode saber se há respeito pelo princípio da igualdade (...) Mais do que noutras ocasiões, impunha-se que se soubesse com antecedência as regras do jogo e não se sabe", disse Marcelo Rebelo de Sousa, no domingo, em Monchique.

No domingo, a DGS enviou o documento, mas não o revelou como queria Rui Rio, o líder do PSD, e remeteu essa responsabilidade para o promotor. Já nesta segunda-feira, o partido comunista reagiu às regras impostas e prometeu revelá-las ao país nesta tarde. Mas a DGS mudou de ideias e antecipou-se, depois de o primeiro-ministro António Costa o "ordenar" antes da Conferência Nacional do PS, em Coimbra.

Devido à pandemia de covid-19, a 44.ª edição da Festa do Avante!, que se realiza de 4 a 6 de setembro, conta neste ano com um terço da lotação (33 mil pessoas).

Brigadas de emergência para conter surtos em lares

Segundo a secretária de Estado adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, Portugal tinha 60 lares com utentes com covid-19, num total de 523 idosos e 224 funcionários infetados com o novo coronavírus. Uma situação que gera alguma preocupação e que levou o Governo - através da Segurança Social - a avançar com brigadas de intervenção rápida para reforçar temporariamente os recursos humanos dos lares. A novidade foi avançada na sexta-feira pelo ministério de Ana Mendes Godinho ao jornal online Eco.

A Segurança Social mostra-se disponível para financiar diretamente 18 equipas de emergência, em vez de esperar pelas respostas previstas nos protocolos de reação em vigor. Estas brigadas de emergência vão ser compostas por médicos, enfermeiros, ajudantes de ação direta e auxiliares de serviços gerais, serão destacadas consoante as necessidades pontuais das instituições que se encontrem "numa situação de fragilidade na resposta a surtos de covid-19" e vão ser recrutadas e geridas pela Cruz Vermelha em articulação com a Segurança Social.

Mais de 25 milhões de pessoas infetadas em todo o mundo

A pandemia provocada pelo novo coronavírus já fez 850 914 mortos e infetou 25 410 278 pessoas em todo o mundo. De acordo com o último balanço mundial do site Worldometer, que reúne dados de 213 países, pelo menos 17 720 172 pessoas foram consideradas curadas.

Os Estados Unidos continuam a ser o país mais atingido pela pandemia de covid-19, tanto em número de mortes (187 227) como em número de infeções (6 175 008), seguido do Brasil, com 3 862 311 infetados e 120 896 mortes. A Índia é o terceiro país mais afetado pela pandemia e aquele que mais tem subido em números de novos casos diários (5444 nas últimas 24 horas), totalizando 3 624 613 infetados e 64 646 mortes.

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