Rui Pinto fica em prisão preventiva

Depois de ter sido ouvido durante várias horas no Tribunal de Instrução Criminal, juíza decidiu medida de coação mais gravosa para hacker português.

O Ministério Público (MP) pediu prisão preventiva para Rui Pinto e a juíza, Maria Antónia Andrade, do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa, assim o decidiu. De acordo com o que apurou o DN, a juíza decidiu-se pela medida de coação mais gravosa justificando-a com o "risco de fuga". O hacker português irá aguardar assim julgamento num estabelecimento prisional, que, segundo apurou o DN, não deverá ser divulgado, para sua proteção.

Rui Pinto chegou esta quinta-feira a Portugal num voo da TAP e em 1ª classe e por questões de segurança foi acompanhado por uma equipa da Polícia Judiciária. O material informático que importa à investigação já está em Portugal, guardado em cofre seguro, soube o DN.

A questão da segurança é um dos pontos centrais na extradição de Rui Pinto. O português de 30 anos que denunciou casos de corrupção ligados ao futebol português dormiu a noite passada na prisão anexa à PJ, em Lisboa, e começou a ser hoje ouvido pelas 18.30, no TIC.

Em prisão preventiva Rui Pinto deverá ficar numa cela isolada, para sua proteção, sendo levado para um estabelecimento prisional que deverá ficar também desconhecido do público, pelo menos é esta a pretensão da PJ. "Depois de tudo o que tem sido dito e escrito, nada lhe pode acontecer", disse ao DN fonte próxima do processo.

De acordo com o que apurou o DN, o MP defendeu que o hacker português deveria ficar em prisão preventiva por estarem reunidas três condições essenciais para que fosse aplicada a medida de coação mais gravosa: "Perturbação do inquérito, que é o que o arguido mais tem feito desde que foi detido em Budapeste, pondo em causa a justiça portuguesa; perigo de fuga, pois esteve escondido na Hungria; e continuação da atividade criminosa", sustentou uma fonte que acompanha o caso.

A perturbação do inquérito foi outra das condições que a juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa considerou para determinar a prisão preventiva.

As outras duas possibilidades de medidas de coação eram, no entender das mesmas fontes, "pouco plausíveis". Uma seria a prisão domiciliária, outra a detenção, em regime especial, fora de estabelecimentos prisionais, que só foi ainda utilizada uma vez, com os arrependidos das FP-25. A justiça portuguesa imputa a Rui Pinto a prática de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo de justiça, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de tentativa de extorsão.

A acusação surgiu na sequência de uma investigação ao acesso ilegal aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimentos Doyen Sports, tendo depois sido divulgados documentos confidenciais envolvendo contratos de jogadores, treinadores e vários clubes de futebol.

Ler mais

Exclusivos