PSP processa agente que publicou post contra ciganos no Facebook

A PSP instaurou um processo contra o presidente da Organização Sindical dos Polícias, por ter partilhado nas redes sociais uma publicação discriminatória para a comunidade cigana

O Comando da PSP de Lisboa instaurou um processo de averiguações disciplinar a Jorge Rufino, agente desta força de segurança e presidente da Organização Sindical dos Polícias (OSP), um das 17 estruturas sindicais da polícia.

Em causa está uma publicação que Rufino partilhou na sua página de Facebook, no passado dia 23 de junho, ainda visível esta quinta-feira, com uma foto do Presidente da República junto a uma comunidade cigana, criticando alegados benefícios deste grupo, face à restante população portuguesa.

Questionada pelo DN sobre esta situação, fonte oficial da PSP confirmou a "instauração de um processo de averiguações", não querendo fazer mais comentários. Um processo de averiguações é a primeira fase de um processo disciplinar. Se a Inspeção Nacional da PSP, que conduz o caso, concluir que há matéria, inicia então o inquérito disciplinar, ouvindo as partes.

O DN sabe que o caso caiu muito mal entre vários oficiais de topo da hierarquia. "Considera-se inadmissível e intolerável que um polícia coloque conteúdos xenófobos e racistas nas redes sociais, ainda para mais utilizando uma foto com o mais alto representante da Nação. A Direção da PSP não tolera este tipo de atitude e não deixará de agir em conformidade com a lei", sublinhou uma fonte que está a acompanhar o processo.

De acordo com o artigo 13º do estatuto desta força de segurança, constituem "deveres especiais" de um polícia "atuar sem discriminação em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual".

Contactado pelo DN, Jorge Rufino, refuta que tenha tido intenções "de caráter xenófobo ou racista" com a sua publicação. "Gosto de partilhar palhaçadas e essa deve ser uma piada", sublinha.

Questionado sobre o facto de ser um agente da PSP (além de presidente de um sindicato), a quem o estatuto obriga a a atuar "sem discriminação", Rufino responde assim: "a minha opinião como cidadão é minha. Isso é crime? Não sou xenófobo nem racista".