PSP diz que foi tudo pacífico: "Uns tinham que passar, outros tinham de se manifestar"

O comandante distrital da PSP de Setúbal congratulou-se com a forma pacifica como decorreu a operação policial para garantir a entrada de um autocarro com trabalhadores para o porto local, apesar dos protestos dos estivadores.

"A PSP tinha consciência de que havia aqui um foco de grande tensão e que tínhamos de ter muita calma", disse aos jornalistas Viola Silva, no final da operação policial em que estiveram envolvidos meios das divisões de Almada, Barreiro, Seixal e Setúbal e do Grupo de Intervenção da Unidade Especial da Polícia.

"Temos de perceber que estamos perante trabalhadores, temos de perceber a sua luta laboral, que não tem que ver com a PSP, mas a PSP tem de fazer cumprir as regras do Estado de direito. Uns tinham de passar, outros tinham de se manifestar e tivemos de balançar estes dois direitos", acrescentou o responsável.

Viola Silva congratulou-se ainda com o facto de não haver ninguém ferido nem molestado e nenhum detido durante toda a operação policial, que se irá prolongar até que esteja concluído o embarque de cerca de 2.000 viaturas produzidas na fábrica de Palmela da Autoeuropa num navio com pavilhão de Gibraltar que chegou cerca das 6:00 ao porto de Setúbal.

Muitos dos trabalhadores eventuais que prestam serviço no porto de Setúbal e que desde o passado dia 05 de novembro se recusam comparecer no trabalho em luta por um contrato coletivo de trabalho, continuavam cerca das 10:30 junto ao parque de estacionamento do terminal de embarque automóveis do porto, mas já de forma dispersa.

Na segunda-feira, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, enviou uma carta ao IMT - Instituto da Mobilidade e Transportes e à APSS - Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra na qual pedia a correção das "disfunções" provocadas pelo excesso de trabalhadores precários, o que parecia indiciar que a solução do problema iria passar pela via do diálogo.

Contudo, as empresas portuárias recusam-se a dialogar enquanto o sindicato não levantar a greve ao trabalho extraordinário, que se deverá prolongar até janeiro próximo.

Já na quarta-feira, a Autoeuropa recebeu garantias do Governo para a realização do carregamento de automóveis de hoje.

Segundo a empresa, o planeamento do navio, que faz parte das escalas regulares para o porto de Emden, na Alemanha, "teve por base a garantia de uma solução para o embarque de veículos dada pelo Governo e pelo operador logístico".

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