PSP alerta para "copinho a mais" e carteiristas nos Santos

Força de segurança lembra que os espaços apertados são propícios ao roubo de objetos como malas, carteiras e e telemóveis. E aconselha também a deixar o carro em casa, quer por causa do álcool quer devido aos cortes de trânsito e falta de estacionamento

A propósito da aproximação das festas de Lisboa - que começam já a 12 de junho, véspera do Santo António - motivou a PSP a emitir uma série de avisos, resumidos em pequenas frases, talvez por inspiração dos ditos que se costumam escrever nos manjericos. A condução, sobretudo sob o efeito do álcool, e as cautelas a ter com os carteiristas são os principais temas destacados.

"Os arraiais muito apertados", lembra o departamento de relações públicas da PSP, "são locais onde as carteiras, telemóveis e outros objetos mais facilmente se desencaminham". Por isso, recomenda, "se vai ao arraial típico, aconselhamos que chegue mais cedo para que mais cedo, preferencialmente até às 03.30, possa sair sem grandes apertos".

E quando há crianças no grupo, maiores devem ser estes cuidados. "Os Arraiais são espaços onde as famílias podem e devem conviver e viver a tradição", ressalva. "[Mas] as crianças, principalmente as mais pequenas, não convivem bem com muita confusão, por isso, os pais devem procurar ir mais cedo e se possível, sem o uso das cadeiras/carrinhos para que as entradas e saídas sejam mais rápidas e seguras"

Também é aconselhável, diz esta força de segurança, reduzir os adereços ao estritamente necessário. Sobretudo aqueles que mais interessam aos amigos do alheio. "Para comer sardinhas, febras e pão, para beber cerveja ou vinho, aconselhamos que leve dinheiro, a carta de condução e o cartão de cidadão nos bolsos da frente e deixe a carteira e mala em casa".

Dar "descanso" ao automóvel

Assumindo ser possível que o cidadão "beba um copinho a mais", a PSP, lembra que "esse copinho pode estragar muitas vidas se for conduzir". Por isso, deixa o conselho: "Os transportes públicos são os nossos melhores amigos nestas noites. Estacione o seu carro em casa e dê-lhe descanso".

"Vibre com os Santos e esqueça que sabe conduzir nessa noite", reforça. "É mais sensato ir de transportes públicos".

A quem, ainda assim, insistir em fazer-se transportar no seu carro, a polícia lembra que, "por norma, não existem parques de estacionamento junto aos Arraiais. É pois saudável que o estacionamento seja feito o mais distante do Bairro/Arraial e o caminho percorrido a pé. Esta é uma noite propícia à prática de desporto",defende.

No dia 12, lembra ainda a PSP, irão existir condicionamentos e cortes de trânsito em várias das principais artérias da cidade. Assim, logo a partir das 14.00, devido à realização das marchas populares, será condicionado o trânsito no eixo central da Avenida da Liberdade, entre a Rua Alexandre Herculano e o Largo da Anunciada. Por volta das 17.00 será mesmo cortado o trânsito no eixo central da Avenida, entre a Rua das Pretas e a Rua Alexandre Herculano. A partir das 18.30 será interdita a circulação rodoviária entre o Marquês de Pombal e a Praça D. Pedro IV (Rossio), situação que se manterá até às 08.30 de dia 13.

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.