Presidente da Federação Portuguesa do Táxi diz que reunião com PSD no parlamento "foi irritante"

A manifestação dos profissionais do setor do táxi vai continuar por tempo indeterminado e levou ao adiamento da cerimónia de encerramento da Semana Europeia da Mobilidade.

O presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos, disse aos manifestantes concentrados na Praça dos Restauradores, em Lisboa, que a reunião com grupo parlamentar do PSD "não traz nada de novo" e o representante da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio de Almeida, vincou que o protesto "vai continuar por tempo indeterminado".

"A reunião que tivemos com o PSD não traz nada de novo, além daquilo que já sabíamos. O Partido Social-Democrata mantém-se irredutível, o PSD está formatado com lei", afirmou o presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos.

O dirigente associativo explicou que os sociais-democratas exigiram "a presença do ministro [do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes] na comissão parlamentar", mas o partido "quer ouvir primeiro o ministro, quer saber quais são as soluções que tem para a modernização do táxi"

"Foi irritante a forma como fomos recebidos, a forma como se dirigiam ao setor e a nós, a este grave problema que nos mobiliza para estar aqui, no Porto e em Faro", criticou.

Carlos Ramos acrescentou que apenas a "pressão é que vai obrigar a mudar aquilo que está mal" e informou aos manifestantes que "o Porto está em brasa" e "neste momento há 800 carros parados".

O presidente da ANTRAL, Florêncio de Almeida, disse que "passo a passo" as reivindicações dos taxistas vão ser escutadas pelo Governo.

Enquanto o dirigente discursava, alguns taxistas criticavam os homólogos que não aderiram à paralisação.

Florêncio de Almeida respondeu que "só está quem quer".

"Temos de ter paciência, persistência e não desmobilizar, e tentar trazer os outros para cá", vincou.

O representante da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros disse aos jornalistas que a revogação do diploma que regula a atividade de Transporte em Veículo Descaracterizado a partir da Plataforma Eletrónica (TVDE) "é o mais correto para que a lei que vai entrar [em 01 de novembro] seja mais consensual e equiparada à dos táxis".

Questionado sobre a duração do protesto, Florêncio Almeida foi perentório: "Isto vai continuar por tempo indeterminado, até que haja uma solução a gente não vai arredar pé daqui."

No final, "A Portuguesa" soou na Praça dos Restauradores, seguida pela frase "Costa urgente, ouve o Presidente".

Chegaram também 35 viaturas vindas do Seixal e que foram recebidas com aplausos e gritos de megafone a dizer "bem-vindos".

Na frente ia uma carrinha de oito lugares, com as portas abertas e um manifestante a gritar a um megafone: "Táxis unidos jamais serão vencidos."

Os taxistas estão no terceiro dia consecutivo de greve e depois de não conseguirem reunir, na quarta-feira, o apoio dos partidos com assento parlamentar para pedir a fiscalização sucessiva da lei de TVDE, as associações que representam o setor aguardam resposta do Governo e uma reunião com a Presidência da República, agendada para segunda-feira.

Encerramento da Semana Europeia da Mobilidade adiado

A Câmara Municipal de Lisboa adiou a cerimónia de encerramento da Semana Europeia da Mobilidade - que começou em 16 de setembro e termina este domingo - para dia 29 de setembro.

Em comunicado, a autarquia refere que "face à continuação da concentração de taxistas na Avenida da Liberdade e Praça dos Restauradores, a Câmara de Lisboa irá reagendar o evento de encerramento da Semana Europeia da Mobilidade".

A nota enviada às redações dá conta de que o evento vai realizar-se oito dias depois, "no mesmo local e nos moldes anteriormente divulgados".