"Não és minha não és de ninguém!" Dois detidos por bater e violar ex-namoradas

Um dos agressores tem apenas 19 anos e o juiz decretou a sua prisão preventiva. A ex-namorada tem 20. No outro caso, o acusado ficou em liberdade

Ambas as mulheres, de 26 e 20 anos, tinham rompido o namoro com aqueles homens, precisamente pela violência e ameaças que tinha sofrido durante o relacionamento. Mas o pesadelo não tinha, afinal, acabado. Os casos não estão ligados no espaço, nem no tempo, nem nos protagonistas, mas têm um ponto em comum: ambas as mulheres foram agredidas e violadas pelos ex-namorados. Os dois já foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ). "Infelizmente continua a haver a mentalidade do 'não és minha, não és de ninguém'", sublinhou ao DN um dos responsáveis da PJ por este inquérito, que, no entanto, salientou que "não são casos muito comuns".

De acordo com o comunicado oficial divulgado esta tarde, no caso do suspeito de 19 anos, preso por "fortes indícios da prática de crimes de sequestro, violação e violência doméstica", no início deste mês, a mulher ia a sair do autocarro quando foi "abordada pessoal e violentamente" por este. Foi forçada a ir até à sua residência e aí, diz a PJ, "consumou a violação".

Segundo a investigação da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo (DLVT) desta polícia, "a vítima e o agressor mantiveram anteriormente um relacionamento de namoro pautado por ameaças, maus tratos físicos e psicológicos por parte deste". Foi presente a tribunal logo no dia a seguir e o tribunal decidiu mandá-lo para a prisão preventiva. Fonte autorizada da DLVT explica a aplicação da mais grave medida de coação, pelo seu "perfil agressivo", por não ter atividade profissional regular e residir perto da mulher, o que agrava o risco de continuar as agressões contra a ex-namorada.

No caso do outro ex-casal de namorados, ele tem 40 anos e ela 26. Ela deixou-o há cerca de dois meses e foi residir e trabalhar para a zona Oeste, para ficar longe dele, que estava na Grande Lisboa. Despeitado, o ex-namorado foi ao seu encontro, fez-lhe uma espera à saída do local de trabalho dela e, descreve a PJ, "obrigou-a a acompanhá-lo à sua residência, onde a veio a violar". Conta a Judiciária que "a vítima e o agressor tinham mantido anteriormente uma relação de namoro, durante a qual o suspeito frequentemente procedeu a ameaças e a maus tratos físicos e psicológicos".

Os factos ocorreram no passado mês de maio e o homem foi detido dia dois de agosto, "face aos fortes indícios da prática de crimes de violência doméstica e violação", tendo sido sujeito ao primeiro interrogatório judicial no dia a seguir. Neste caso, o juiz decidiu como medida de coação proibir "contactos com a vítima, providenciando-se pela cedência à mesma de um dispositivo eletrónico para informar as autoridades, em caso de aproximação física do agressor". Ou seja, a mulher terá consigo um dispositivo eletrónico que pode acionar em alerta caso o homem se aproxime.

Ao que o DN apurou junto à investigação, para aplicar esta medida de coação, o tribunal pode ter tido em conta o facto de o homem residir e trabalhar longe da ex-namorada, o que não facilitará a continuação dos crimes, de ter uma atividade profissional regular e de ter dois filhos menores que ajuda a sustentar.

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