Mustafá e antigos dirigentes do Sporting: do apoio ao clube ao crime

Líder da Juventude Leonina já esteve preso pela ligação ao grupo de Paulo Pereira Cristóvão, ex-dirigente do Sporting, que é acusado de fazer assaltos a residências

Nuno Vieira Mendes é conhecido como Mustafá, o homem que dirige a claque Juve Leo, organização em que foi reeleito presidente em julho passado, já após os acontecimentos de Alcochete. O caso de Alcochete é só o mais recente em que é detido por crimes cometidos ao lado de, na altura, dirigentes do Sporting. Chegou a estar preso no processo de roubos violentos em que Paulo Pereira Cristóvão, ex-dirigente dos leões suspeito de liderar gangue que fazia assaltos a residências de luxo, cujo processo ainda irá ser julgado após anulação do primeiro julgamento.

Mustafá, ou Musta, tem 40 anos e chegou ao topo da claque após ter começado por fundar o núcleo do Pica Pau, no Monte da Caparica. Antes de assumir liderança da Juve Leo chegou a cumprir pena de prisão no estabelecimento prisional do Linhó, onde fundou um núcleo da Juve Leo com outros reclusos, noticiou o jornal Record em 2015. Quando saiu e regressou a Alvalade, foi recebido como um herói entre os elementos da claque.

Oficialmente lidera a Juventude Leonina desde outubro de 2016, embora já antes fosse um elemento da cúpula desta claque. Com Bruno de Carvalho, teve uma relação próxima. Esteve ao lado do presidente no período crítico de resultados no final da época passada. No domingo que antecedeu os crimes em Alcochete, o Sporting saiu derrotado do jogo com o Marítimo no Funchal e Mustafa foi muito crítico dos jogadores. "Vão gozar com o c*****! Isto passa todos os limites... Palhaços... Respeitem a camisola", escreveu o líder da claque na sua página de Facebook.

Dois dias depois ocorreu a invasão do centro de estágio do clube leonino. Com vários elementos da Juve Leo detidos, Mustafá negou sempre a participação, a qualquer nível, nos acontecimentos e desmentiu igualmente que houvesse uma ordem de Bruno de Carvalho. "Em nenhum momento houve um pedido, sugestão ou sequer aval do presidente ou de qualquer elemento do Sporting para que a "Juve Leo" desencadeasse qualquer ação contra os nossos jogadores, o nosso "mister" (Jorge Jesus), o "staff" técnico ou qualquer elemento da Academia de Alcochete", disse Mustafá, durante a leitura de um comunicado à imprensa em 19 de maio passado. Mustafá disse que a Juventude Leonina é "uma associação com 7.000 associados e que condena qualquer tipo de violência no desporto".

Chegou a estar preso

Mas o passado de Nuno Vieira Mendes tem outro tipo de ligações ao crime, com elo a dirigentes do Sporting. Foi detido em 2015 juntamente com Paulo Pereira Cristóvão, antigo vice-presidente do Sporting, e outros 16 arguidos que acabaram por serem julgados e condenados por associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder e falsificação de documento, num caso relacionado com assaltos violentos a residências, na zona de Lisboa e na margem sul do rio Tejo.

A condenação acabou por ser anulada pois o Supremo Tribunal de Justiça declarou a "incompetência material" do Tribunal Central de Instrução Criminal para a realização da fase de instrução. O caso irá novamente a julgamento em Cascais. Neste processo, Nuno Vieira Mendes chegou a estar em preventiva, depois com pulseira eletrónica em prisão domiciliária mas foi libertado meses depois e logo reassumiu posição de liderança na Juve Leo.

Com Frederico Varandas, o ambiente estava mais tenso, e no último jogo em Londres a claque não gostou que o presidente do Sporting ignorasse o líder da Juve Leo num encontro em Londres. Também foi noticiado que Varandas cortou uma série de regalias à claque o que deixou insatisfeitos os dirigentes do grupo de apoio ao clube.

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