Motoristas: Antram quer que greve seja desconvocada perante pedido de dissolução do sindicato

Após o Ministério Público ter pedido a dissolução do sindicato dos motoristas, a Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) defende que greve dos motoristas deve ser desconvocada.

A Antram já reagiu ao pedido do Ministério Público relativo à dissolução do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas. E em comunicado, vem dizer que é um pedido com natural gravidade. "Não nos vamos pronunciar sobre uma matéria que é da justiça, a justiça tem o seu tempo, todavia não podemos ficar alheios ao impacto que uma situação destas terá numa greve que, a existir, poderá ter um problema grave para os trabalhadores", disse o porta-voz dos patrões, André Matias de Almeida, em declarações à Lusa.

Reforçando que, em defesa dos direitos dos trabalhadores, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) deve assim "desconvocar a greve até que este processo esteja esclarecido."

Após análise dos estatutos deste sindicato, o Ministério Público (MP) veio sustentar que há "desconformidades" na constituição e nos estatutos do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), razão pela qual pediu a sua extinção junto do Tribunal de Trabalho de Lisboa.

"Da análise do processo de constituição e dos estatutos da mencionada associação, concluiu-se pela existência de desconformidades com preceitos legais de caráter imperativo, designadamente a participação na assembleia constituinte de pelo menos uma pessoa que não é trabalhador por conta de outrem, no âmbito profissional indicado nos estatutos", explica a Procuradoria-Geral da Republica (PGR), em resposta escrita enviada hoje à agência Lusa.

O Ministério Público pediu a dissolução do SNMMP numa ação que deu entrada este mês junto do Tribunal do Trabalho de Lisboa, disseram à agência Lusa fontes judiciais.

O SNMMP, que cumpriu uma greve este mês, entregou um novo pré-aviso de greve para o período compreendido entre os dias 7 e 22 de setembro, desta vez ao trabalho extraordinário e aos fins de semana.