Morreu José Augusto Rocha, o advogado dos presos políticos

Na sequência da crise académica de 1962, esteve preso no Forte de Caxias. Tinha 79 anos

O advogado José Augusto Rocha, que defendeu presos políticos durante o Estado Novo, morreu hoje de madrugada no Hospital do SAMS, em Lisboa, onde estava internado, disse fonte próxima da família.

José Augusto Rocha foi condecorado no passado mês de dezembro pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que lhe atribuiu o grau de grande-oficial da Ordem da Liberdade.

Licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, José Augusto Rocha, 79 anos, foi diretor da Associação Académica de Coimbra e chegou a ser expulso de todas as escolas nacionais, por dois anos, na crise académica de 1962, por decisão do Senado da Universidade de Coimbra. Na altura, foi acusado de ter realizado o 1.º Encontro Nacional de Estudantes, apesar da proibição do ministro da Educação Nacional.

Julgado no Tribunal Criminal de Coimbra, acabou acusado do crime de desobediência ao ministro da Educação Nacional.

Na sequência da crise académica, esteve preso no Forte de Caxias, mas acabou libertado sem culpa formada.

José Augusto Rocha participou em diversos julgamentos e processos no Tribunal Plenário Criminal de Lisboa, onde defendeu e assistiu vários presos políticos, nomeadamente, Victor Ramalho, Francisco Canais Rocha, João Pulido Valente, Diana Andringa, Fernando Rosas, Maria José Morgado, José Mário Costa, Paula Fonseca, Isabel Patrocínio Saldanha Sanches, José Maria Martins Soares, Amadeu Lopes Sabino, Sebastião Lima Rego e Paula Metelo.

Foi também presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados em 2008.

O corpo de José Augusto Rocha será cremado no Cemitério dos Olivais na sexta-feira, pelas 17:00.

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