Governo e CP ofereceram passes semanais a quase sete mil alunos

Iniciativa Comboio do Conhecimento, destinada a promover "experiências de conhecimento do território" a estudantes do superior que passaram para o 2.º ano, já conta com mais de 10 mil candidaturas

A Direção Geral do Ensino Superior (DGES) recebeu "mais de 10 mil pedidos de vouchers", dos quais "já foram aprovados 6957", para o Comboio do Conhecimento, uma iniciativa do governo que permite aos estudantes que concluíram com sucesso o 1.º ano do ensino superior (cursos TeSP, licenciaturas e mestrados integrados) viajarem gratuitamente durante sete dias consecutivos nos serviços urbano, regional, inter-regional e intercidades da CP.

Em comunicado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior explica que o programa, que tem por lema: "Não fiques apeado - dá crédito aos teus estudos e vem conhecer Portugal", "visa estimular a aquisição de competências e de formação superior, aliada ao sucesso académico, e promover experiências de conhecimento do território".

Para terem acesso a estes vouchers, que podem ser utilizados até ao final de 2018, os alunos precisam de ter concluído pelo menos 36 ECTS (créditos académicos) no ano letivo que terminou. Os pedidos podem ser feitos através da página www.comboio-conhecimento.pt, existindo ainda uma aplicação, o Globestamp, onde é possível ter acesso a roteiros, planear viagens e partilhar experiências.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.