Menos candidatos ao ensino superior: a "culpa" é de Matemática A

Notas de exame nacional de Matemática A podem ter contribuído para redução de candidatos às universidades e institutos politécnicos, que não devem chegar aos 50 mil este ano

As candidaturas à primeira fase de acesso ao ensino superior terminam esta terça-feira e, apesar de já haver mais de 47 mil candidaturas, os presidentes do CRUP e do CCISP não acreditam que o número chegue aos 52.580 candidatos do ano anterior e apontam como causa a redução da média nacional no exame de Matemática A.

De acordo com dados provisórios da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), até segunda-feira, já se candidataram 47.481 alunos à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, um aumento de 2.058 candidatos em relação ao período homólogo de 2017, mas que não faz aumentar o número total de candidaturas. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Fontainhas, referiu que "se for feita uma análise diária, há uma diminuição forte nos primeiros dias" e que no final desta fase do concurso, "nos últimos quatro, cinco dias, houve um aumento em relação ao ano anterior".

Há um ano, foram precisos três dias para o número de candidaturas passar das 44 mil para as 47 mil, um crescimento mais gradual face a este ano - o aumento deu-se entre domingo e segunda-feira. Apesar disso, os números deverão ficar aquém de 2017 e a causa poderá estar no exame nacional de Matemática A, do 12.º Ano.

António Fontainhas explicou que "houve uma baixa no número de aprovados em Matemática A" e que isso poderá justificar "esta variabilidade de resultados" entre este ano e o anterior. O presidente do CRUP não critica, contudo, o sistema de ensino, que considera funcionar "bem em termos de concurso nacional", mas critica a "enorme dependência que existe de uma única nota final".

"Julgo que deveríamos pensar nisso nos próximos tempos e analisar estes dados", rematou, insistindo que poderá haver sistemas de ensino de outros países mais eficazes.

Em consonância com o dirigente do conselho de reitores universitários, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos, referiu que "a redução da média de Matemática A, quer queiramos, quer não, tem um impacto importante" no acesso ao ensino superior, porque "é o exame, a par com o Português, onde há mais candidatos a realizar exames".

Greve dos professores causou instabilidade

O presidente do CCISP vai mais longe e também aponta como causas "uma certa instabilidade sobre a publicação das notas" que está "relacionada com a greve dos professores", e ainda o aumento de estudantes a seguir o ensino profissional, em vez do secundário. "Apenas 15% [destes alunos] chegam ao ensino superior", afirmou, elencando que os acessos "são mais difíceis do que para os estudantes dos cursos científico-humanísticos".

Pedro Dominguinhos viu com bons olhos a diferença de apenas 6% no número de candidaturas em relação ao 2017, um número que inicialmente era de 10%, mas considerou, contudo, que "significa que provavelmente não chegaremos aos 50 mil candidatos no ensino superior". O presidente do conselho que coordena os politécnicos nacionais considerou que o número "não é positivo" e que "vai requerer", por isso, uma "reflexão aprofundada".

Fonte do gabinete do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) adiantou que o ministro, Manuel Heitor, só vai comentar o número de candidaturas quando estiverem concluídas as duas fases de acesso ao ensino superior.

A primeira fase de candidaturas às universidades e institutos politécnicos começou em 18 de julho e termina esta terça-feira. Este ano há 50.852 vagas, mais 0,2% do que em 2017, um aumento que se regista pelo terceiro ano consecutivo.

Destas vagas, 55% são para universidades e 45% para politécnicos, de acordo com dados do MCTES, para um total de 1.068 cursos no ensino superior público. Este ano há mais 1.080 nas nas instituições localizadas fora de Lisboa e Porto e houve uma redução de 1.066 vagas nas instituições localizadas nas duas cidades, por decisão da tutela.

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