Marcelo propõe comissão independente para avaliar época de incêndios

Presidente sugere novo organismo a funcionar na alçada da Assembleia da República

O Presidente da República propôs hoje a criação de uma "comissão independente permanente", a funcionar sob a alçada da Assembleia da República, para fazer a avaliação da época de incêndios e "ajudar" o Governo, o próprio chefe de Estado e as várias instituições.

Marcelo Rebelo de Sousa fez esta proposta à saída de um 'briefing´ no posto de comando da Proteção Civil, instalado no centro da vila de Monchique, enquanto falava com populares que lhe apresentaram diversas queixas relacionadas com a operação de combate ao incêndio naquele concelho do Algarve.

"[Esta comissão] ajuda o Governo, ajuda o Presidente da República e ajuda todas as instituições", afirmou.

Segundo o chefe de Estado, a comissão poderia debruçar-se sobre as ignições e fogos registados, e se a "forma de prevenção" ou se a "resposta" resultaram ou não.

Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu que a comissão permanente seja a mesma que existiu em relação aos grandes incêndios de junho e outubro do ano passado e que vá "acompanhando, em diálogo" com a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, as instituições governamentais e outras, "o que aconteceu ano após ano".

A comissão técnica independente criada no ano passado para analisar aqueles fogos, nomeada pela Assembleia da República e que produziu dois relatórios, foi liderada pelo investigador João Guerreiro, antigo reitor da Universidade do Algarve.

"Já se percebeu que o grau de exigência dos portugueses é muito alto. Já se percebeu que as alterações climáticas são cada vez mais complexas. Já se percebeu que o que sucede levanta problemas cada vez mais complexos. Vamos fazendo o balanço e aprendendo a lição ano após ano", acrescentou, já em declarações aos jornalistas.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado na sexta-feira de manhã, deflagrou no dia 03 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

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