Manifestantes antitourada ficaram longe da arena

Protesto em Albufeira foi vigiado pela GNR

A manifestação antitourada que esta sexta-feira à noite se realizou em Albufeira, durante a corrida RTP que se realizou na praça de touros daquela cidade algarvia, decorreu de forma pacífica e acompanhada de perto pela GNR.

Os manifestantes mantiveram-se longe do recinto, na via pública, gritando palavras de ordem como "Basta de sadismo".

Isabel Searle, líder do grupo CIdade de Albufeira antitourada, avançou ainda com uma ideia: "Queremos um referendo, para ficar a saber quem vota a favor deste sadismo", afirmou, citada pelo jornal Público.

A iniciativa desta sexta-feira foi particularmente vigiada pela GNR, pois é a primeira do género após os incidentes que ocorreram, na semana passada, na mesma praça de touros, quando três ativistas saltaram para a arena. Detidos pela GNR, acabaram por ser agredidos enquanto estavam sob custódia policial, tal como o DN noticiou.

A ação das forças de segurança durante este caso está atualmente a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

Albufeira capital do toiro

De acordo com os dados da temporada tauromáquica de 2017, divulgados pela Protoiro - Federação Portuguesa de Tauromaquia, a cidade com mais espetáculos realizados em 2017 foi Albufeira, com 27 espetáculos, representando uma subida de 22,7% em relação aos 22 de 2016.

A cidade algarvia ficou à frente de Lisboa, com 14 espetáculos, e de Vila Franca de Xira, com 11.

Em relação à percentagem média de ocupação das praças em Corridas de Toiros por região, o ano de 2017 ficou marcado por um crescimento exponencial a nível nacional e em particular no Algarve.

Esta zona teve o maior crescimento nacional na média de ocupação das praças em corridas de toiros de 40,4% em relação ao ano anterior, sendo a segunda região com maior percentagem média de ocupação, 73%. O Alentejo lidera, com uma percentagem média de ocupação de 74%.

A Protoiro, em comunicado, considera que estes números demonstram a importância cultural da tauromaquia na região e o potencial económico e turístico, quer para os visitantes estrangeiros quer para os turistas nacionais.

"Estes são indicadores muito positivos e que apontam para uma retoma do crescimento de assistência aos espetáculos tauromáquicos", lê-se na nota enviada à imprensa pela Protoiro. Com Fernanda Câncio

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