Vento vai diminuir a partir de sábado

Vão existir noites tropicais, sobretudo na região sul

O vento, que tem tido "bastante influência" na propagação do fogo no Algarve, deverá começar a diminuir a partir de sábado, disse à agência Lusa a meteorologista Joana Sanches, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"O vento vai continuar a soprar com alguma intensidade durante o dia de hoje, principalmente durante a tarde, quer no litoral oeste, quer nas terras altas, prevendo-se que comece a diminuir a partir de sábado", disse Joana Sanches.

Os próximos dias deverão, no entanto, contar com temperaturas mais elevadas, mas a humidade relativa, que "também é um fator a ter em conta no risco de incêndio", vai baixar na sexta-feira e no sábado, principalmente na região sul.

"Em termos de nebulosidade, não só para o Algarve, como para todo o território, vamos ter dias de céu pouco nublado ou limpo, e uma subida da temperatura, principalmente da máxima, na sexta e no sábado" e "noites tropicais", principalmente na região sul", disse Joana Sanches.

"São esperadas noites com temperaturas próximas dos 20 graus nas regiões norte e centro" e no Algarve e no Alentejo, principalmente na noite de sexta-feira para sábado, os valores da temperatura mínima estarão acima dos 20 graus.

Também as máximas na região sul, principalmente no Alentejo, vão estar acima dos 35 graus, disse a meteorologista Joana Sanches.

O incêndio que lavra no Algarve começou na passada sexta-feira, em Monchique, alastrando-se numa fase inicial ao concelho de Odemira, no distrito de Beja, onde foi rapidamente resolvido, seguindo depois em direção a Portimão, onde já não está ativo, e a Silves, onde ainda permanece.

Ao sétimo dia, o incêndio estende-se por um perímetro que ultrapassa os 100 quilómetros, afetando diretamente os concelhos de Monchique e de Silves.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.