Várias localidades na serra de Monchique com falhas nas redes móveis

Incêndio de Monchique afetou um 'site' móvel e alguns serviços fixos, mas reposição depende da autorização da Proteção Civil. Presidente da Câmara, Rui André, mostrou-se preocupado com as falhas nas redes telefónicas

Várias localidades na serra de Monchique estão sem telecomunicações móveis, estando as operadoras a aguardar autorização da Proteção Civil para intervir no terreno e restabelecer a totalidade das comunicações, afirmaram esta terça-feira as empresas.

Contactada pela agência Lusa, fonte da NOS confirmou que o incêndio afetou "um 'site' móvel e alguns dos serviços fixos", estando a empresa a aguardar autorização para poder reparar os danos causados.

"Neste momento, os serviços que ainda não estão repostos -- um 'site' móvel e alguns serviços fixos -, dependem apenas de autorização da Proteção Civil para que possamos iniciar os trabalhos de reparação da infraestrutura danificada e restabelecer, o mais rápido possível, os serviços aos clientes que foram afetados", informou.

Fonte da Vodafone disse à agência Lusa que "desde esta manhã há duas estações em baixo", devido à falha de energia que "poderá causar interrupções no serviço".

"Não conseguimos prever quando será solucionado o problema porque estamos dependentes do parceiro. Não se trata de serviços nossos queimados, mas sim de falta de energia que coloca as nossas estações em baixo", afirmou.

De acordo com a mesma fonte, as duas estações localizam-se nas Caldas de Monchique, no concelho de Monchique.

Contactada pela agência Lusa, fonte da Altice Portugal afirmou que "está ativamente a colaborar com todas as autoridades", tendo alocado a Monchique, desde sexta-feira, "cerca de uma centena de técnicos especializados que acompanham o evoluir da situação no terreno".

A mesma fonte confirmou que na madrugada desta terça-feira foram "danificadas estruturas de comunicação móvel", estando a ser feita a reposição do serviço.

"Neste momento, o serviço móvel tem sido todo reposto e reforçado através da unidade móvel (transportável) da Altice Portugal, que foi prontamente acionada e que continuará a dar apoio nesta região afetada, com a instalação da mesma na zona urbana de Monchique. No terreno, estão também várias dezenas de técnicos especializados da Altice Portugal em coordenação com as autoridades no teatro das operações", informou a empresa num comunicado enviado à Lusa.

Ainda de acordo com fonte da Altice Portugal, "o sucesso da operação de reposição", das comunicações móveis, depende da validação da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) para que possam intervir no terreno.

A Altice Portugal informou ainda que se "mantém atenta à operacionalidade da rede SIRESP" (utilizada pelas forças de segurança e socorro), que "até ao momento se encontra operacional e sem falhas relevantes".

Presidente da Câmara de Monchique preocupado

O presidente da Câmara de Monchique mostrou-se hoje preocupado com as falhas nas redes fixa e móvel que estão a afetar o concelho, lembrando que há habitantes em zonas isoladas que apenas dispõem da rede fixa para contactar o exterior.

Rui André disse à Lusa que aguarda que as operadoras "reponham rapidamente as comunicações através de sistemas alternativos" para que seja possibilitado o contacto, sobretudo numa situação de emergência como a que se vive em Monchique, pelo quinto dia.

Não há comunicações telefónicas no posto de Correios, nas agências bancárias e estabelecimentos comerciais

A situação está, sobretudo, a afetar a rede fixa de telecomunicações e não apenas nas zonas rurais do concelho, também há falhas graves nas comunicações na vila de Monchique.

Na zona urbana, desde a manhã de terça-feira que não há comunicações telefónicas no posto de Correios, nas agências bancárias e estabelecimentos comerciais, constatou a agência Lusa no local.

Fonte da Proteção Civil justificou a situação com a destruição de várias linhas telefónicas pelo fogo na serra de Monchique, levando a que as comunicações tivessem colapsado durante a manhã.

A situação começou a melhorar ao início da tarde, embora ainda com muitas falhas e grandes dificuldades em estabelecer contactos através da rede fixa e de todas as operadoras móveis.

Neste incêndio rural, que deflagrou na sexta-feira, há 29 feridos ligeiros e um grave.

Num balanço feito na segunda-feira, as autoridades informaram que arderam entre 15.000 e 20.000 hectares.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".