Carros de combate a fogos com defeito? "Estão operacionais", diz o governo

O secretário de Estado da Proteção Civil garante que os veículos de combate a incêndios rurais "estão operacionais" e sem problemas que coloquem em perigo os militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR

"Os veículos estão operacionais e estão no terreno (...) e, portanto, estão a funcionar em pleno. Os contratos que foram estabelecidos entre o Estado através da entidade de contratação pública e os cadernos de encargos elaborados pela GNR, naturalmente que foram cumpridos no contrato que foi estabelecido", disse hoje o secretário de Estado da Proteção Civil.

José Artur Neves falava aos jornalistas na fronteira de Vilar Formoso, Almeida, no distrito da Guarda, à margem de uma campanha de sensibilização dos emigrantes para a segurança rodoviária e para a campanha Aldeia Segura e Pessoas Seguras.

O governante reagia assim à notícia publicada hoje pelo jornal Expresso, segundo a qual dezenas das novas viaturas ligeiras ao serviço do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR estão com anomalias, impedindo-as de serem usadas no combate aos fogos, uma vez que o problema nas motobombas leva a que a água lançada pela mangueira dificulte a extinção do incêndio e expõe os militares a mais perigos.

"Se há um pormenor ou outro que não esteja em condições, naturalmente que é assumido pela entidade contratada. Não temos dúvida nenhuma quanto a isso. Contudo, importa esclarecer: todos os veículos estão operacionais, nenhum está inoperacional"

Segundo o secretário de Estado da Proteção Civil, os novos veículos "estão no terreno distribuídos pelos 40 Centros de Meios Aéreos e distribuídos pelas equipas de ataque ampliado que estão sediadas, nomeadamente em Mirandela, em Aveiro, em Viseu e em Loulé".

E estas equipas que receberam agora os primeiros veículos para ataque ampliado "vão receber na próxima semana mais dez veículos", anunciou.

"E, com isso, fica todo o dispositivo dotado dos equipamentos que tínhamos planeado, inclusive com os equipamentos de proteção individual", rematou.

José Artur Neves disse ainda que "todos os operacionais estão no terreno com os veículos necessários para combater os incêndios" e que sobre o assunto não há "nenhuma dúvida".

O secretário de Estado da Proteção Civil deu hoje as boas vindas aos emigrantes que entram em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso e sensibilizou-os para a campanha Aldeia Segura e Pessoas Seguras.

O governante participou hoje de manhã, naquela fronteira, na campanha de segurança rodoviária "Sécur'Eté 2018: Verão em Portugal", promovida pela associação de jovens lusodescendentes Cap Magellan e destinada aos emigrantes que regressam a Portugal pelos principais eixos rodoviários na fronteira com Espanha.

Além da sensibilização rodoviária, a iniciativa tem também como objetivo a sensibilização dos emigrantes para a campanha Aldeia Segura e Pessoas Seguras que resultou de um protocolo assinado entre a Autoridade Nacional de Proteção Civil, a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a Associação Nacional de Freguesias.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.