Ministério Público e Polícia Judiciária abrem investigação ao fogo

O Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ) estão a investigar o incêndio que deflagrou na sexta-feira no concelho de Monchique, distrito de Faro, confirmaram hoje os dois organismos.

"O Ministério Público do DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Faro vai investigar os incêndios de Monchique, para determinar as suas causas e o seu eventual enquadramento legal", esclareceu hoje a Procuradoria-Geral da República. Da mesma forma, fonte oficial da PJ confirmou que a polícia "está a investigar" o incêndio, no âmbito desta investigação titulada pelo DIAP de Faro.

O incêndio na serra de Monchique dura há já cinco dias e já causou, até ao momento, 30 feridos, um dos quais em estado grave, tendo obrigado à deslocalização de mais de 250 pessoas das zonas afetadas pelo fogo na última noite, quando as chamas chegaram às portas de Monchique, cercando de novo aquela vila algarvia, que ficou sem energia elétrica em alguns pontos.

Num momento em que cerca de 1200 homens continuam a combater as chamas, tendo a coordenação sido transferida para o Comando Nacional, o ministro da Administração Interna veio sublinhar que os trabalhos têm decorrido de forma exemplar, com um comportamento "notável" dos bombeiros. As condições atmosféricas, porém, não estão a ajudar.

Eduardo Cabrita justificou a dimensão do incêndio de Monchique com as condições climatéricas "excecionais" que se fazem sentir no Algarve, uma zona que lembrou ter sido a "prioridade" desde o início de agosto, precisamente por estar referenciada como zona de risco.

Depois dos trabalhos de planificação e limpeza de matas ordenado pelo governo depois da tragédia de Pedrógão Grande, no ano passado, e confrontadas com novo fogo destas dimensões, as populações questionam agora o que foi feito. "Fizemos tudo o que devíamos. Mas perdemos tudo à mesma", lamentam. Leia aqui os testemunhos, na reportagem de Ricardo J. Rodrigues, em Monchique.

Com Lusa

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