Fogo controlado em Portimão, mas teme-se reacendimentos

Algumas pessoas já puderam regressar a casa em localidades como Rasmalho e Montes de Cima, ao contrário dos habitantes de Monchique, que ainda não têm essa autorização

O fogo que deflagrou na sexta-feira em Monchique está controlado no concelho de Portimão desde terça-feira, mas ainda se teme a ocorrência de reacendimentos devido ao vento, disse a presidente da Câmara, Isilda Gomes.

"Desde ontem [terça-feira] que a situação ficou controlada, o grande problema tem a ver com os reacendimentos. De momento não temos fogo ativo e estamos numa fase já de rescaldo e consolidação. Agora, nada nos diz que, de um momento para o outro, não possa haver um reacendimento", afirmou a autarca à agência Lusa, ao final da manhã.

Isilda Gomes disse que ainda há vento e essa "é, sem dúvida, a principal preocupação", mas sublinhou que "de momento, está tudo calmo" no concelho algarvio, um dos três do distrito de Faro afetados pelo incêndio, juntamente com Silves e Monchique, onde se deu a ignição na sexta-feira, pelas 13:30.

A autarca disse que o fogo atingiu principalmente "as áreas da Senhora do Verde e a área do Rasmalho", mas acrescentou que "não é uma área muito grande", entre os mais de 20.000 hectares que já foram consumidos pelas chamas desde sexta-feira em Monchique, Silves, Portimão e Odemira, município do distrito de Beja onde o fogo chegou a estar ativo no fim de semana, mas foi controlado.

Relativamente a desalojados, Isilda Gomes disse que já foi possível a algumas pessoas regressar a casa, nomeadamente as de Rasmalho e Montes de Cima, mas frisou que "as de Monchique ainda não têm autorização para voltar" e continuam no Portimão Arena, pavilhão que serviu de centro de acolhimento aos desalojados.

"Esta noite dormiram cerca de 100 pessoas, acabaram por ser menos do que aquilo que inicialmente nós tínhamos previsto, porque saíram as do Rasmalho e acabaram por ficar menos, mas ainda lá dormiram cerca de 100 pessoas", quantificou.

A autarca disse que, nas próximas horas, vai-se "fazer rescaldo e consolidar" a operação com apoio de máquinas de rasto no terreno para abrir faixas, embora o município já tivesse "feito um trabalho muito intenso nessa matéria" antes do período crítico de incêndios.

Relativamente aos prejuízos causados pelo fogo, Isilda Gomes respondeu que "em Portimão não houve danos nas habitações".

Segundo um balanço feito hoje de manhã, há 32 feridos, um dos quais em estado grave (uma idosa internada em Lisboa), e 181 pessoas mantêm-se deslocadas, depois da evacuação de várias localidades.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram mais de 21.300 hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

Às 12:50, segundo a página da Proteção Civil na Internet, estavam no terreno 1.445 operacionais, com apoio de 448 meios terrestres e 14 meios aéreos.

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