Incêndios. Cerca de 60 concelhos de 13 distritos em risco máximo

Faro, Bragança, Santarém, Castelo Branco e Guarda são os distritos com mais concelhos em risco máximo de incêndio

Cerca de 60 concelhos de 13 distritos de Portugal continental apresentam hoje risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Em risco máximo de incêndio estão cerca de 60 concelhos dos distritos de Faro, Santarém, Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga, Vila Real, Braga, Bragança e Guarda apresentam hoje risco máximo de incêndio.

Os distritos com mais concelhos em risco máximo de incêndio são Faro (com 8), Bragança (7) Santarém, Castelo Branco e Guarda (quatro).

O IPMA colocou ainda em risco muito elevado de incêndio quase uma centena de concelhos dos distritos de Faro, Beja, Lisboa, Santarém, Portalegre, Castelo Branco, Leiria, Coimbra, Guarda, Viseu, Aveiro, Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança.

Há ainda vários concelhos em risco elevado e moderado de incêndio.

O risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, que podem variar entre o "reduzido" e o "máximo".

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O IPMA mantém em aviso amarelo os 18 distritos de Portugal continental devido à previsão de tempo quente até às 22:00 de terça-feira.

Também o arquipélago da Madeira vai estar até às 20:00 de terça-feira sob aviso amarelo devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima.

Face ao aumento das temperaturas para os próximos dias o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, assinou na sexta-feira um despacho que determina a declaração da situação de alerta vermelho até quarta-feira para os distritos de Braga, Bragança, Guarda, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil colocou os sete distritos em alerta vermelho, o mais grave, face a previsões de temperatura alta, baixa humidade e vento.

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade durante a tarde no interior das regiões Centro e Sul, com possibilidade de ocorrência de aguaceiros dispersos e trovoada.

A previsão aponta ainda para vento fraco a moderado predominando do quadrante leste, soprando de noroeste no litoral oeste durante a tarde e sendo moderado a forte de nordeste nas terras altas até final da manhã e a partir do final da tarde.

Está ainda prevista uma pequena subida da temperatura mínima nas regiões Norte e Centro.

As temperaturas mínimas vão variar entre os 16 graus Celsius (na Guarda e em Bragança) e os 25 (em Portalegre) e as máximas entre os 31 (na Guarda) e os 38 8em Évora, Santarém e Leiria).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".