Lince ibérico e hotéis ainda a salvo do fogo

O centro de reprodução do lince ibérico, em Silves, está, para já, livre do fogo que lavra na serra de Monchique desde sexta-feira, mas colocou meios em prevenção, segundo o instituto de conservação da natureza.

"O incêndio de Monchique não atingiu a área onde se localiza o CNRLI [Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico], desenvolvendo-se principalmente a oeste", disse o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), em resposta a questões da agência Lusa.

No entanto, "o ICNF entendeu, preventivamente, tomar medidas de contingência, ativadas desde domingo ao final do dia, colocando meios humanos e materiais em prevenção para eventual necessidade de defesa ou evacuação do centro", avançou a instituição que tutela o centro.

O incêndio na zona de Monchique começou na sexta-feira e está hoje a ser combatido por mais de 1200 operacionais, tendo se estendido até aos concelhos de Silves e Portimão. Até ao momento, o fogo provocou 30 feridos, um deles em estado grave.

Em 2017, o ICNF desenvolveu ações de gestão de combustível na área envolvente aos cercados, edifícios e na área circundante, "de forma a diminuir o risco de incêndio e estabelecer faixas e mosaicos de proteção" do centro de reprodução do lince ibérico. "Os meios afetos são considerados adequados em função do grau de risco e de acordo com o acompanhamento e monitorização do incêndio e a sua evolução", acrescenta o ICNF, responsável pelo centro de reprodução do lince ibérico de Silves, no Algarve, e pelo projeto de reintrodução da espécie na natureza, desenvolvido em parceria com Espanha.

Hotéis intactos

Também os hotéis da área de onde tiveram de ser retirados hóspedes pela aproximação do fogo mantêm-se intactos, apesar da incerteza de quando poderão reabrir, confirmou o presidente da maior associação hoteleira do Algarve. "Os hotéis que existem em Monchique não foram afetados materialmente e não sofreram danos, mantêm-se intactos", declarou Elidérico Viegas, da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), aplaudindo a retirada antecipada dos hóspedes para outros hotéis no litoral.

A aproximação do fogo que pelo quinto dia lavra na serra de Monchique já obrigou à evacuação do Macdonald Monchique Resort & Spa, situado no lugar do Montinho, junto à estrada que liga o Porto de Lagos a Monchique, e do Villa Termal das Caldas de Monchique Spa Resort, o mais antigo hotel da zona.

O responsável disse ainda não ter conhecimento "de qualquer impacto negativo em termos do cancelamento de reservas" para a zona de Monchique, sublinhando que esta "não é a primeira vez" que aquela zona é atingida por um incêndio de grandes dimensões, como em 2003, em que fogo se prolongou por uma dezena de dias. "Monchique foi, desde sempre, um ponto de visita obrigatório para quem se desloca ao Algarve, é o ponto mais alto da região e possui belezas naturais que fazem com que os turistas que vão ao Algarve visitem também aquela zona", referiu, classificando Monchique como "uma referência".

Durante a tarde de segunda-feira, uma parte da estrada que liga Monchique ao Alto da Fóia, o ponto mais alto do Algarve, a cerca de oito quilómetros da vila e situado a 900 metros de altitude, teve de ser evacuada pelas autoridades devido à aproximação do fogo. Ao longo da estrada que liga o centro da vila à Fóia, também designada como o "topo" do Algarve, existem vários cafés, restaurantes e lojas de artesanato, assim como percursos pedestres, nas zonas de serra circundantes.

"Esta devastação da beleza natural de Monchique causada pelo fogo não deixa, também, de ser uma perda para o turismo", concluiu. O incêndio que deflagrou na sexta-feira tinha queimado até segunda-feira entre 15 e 20 mil hectares, segundo as autoridades, atingindo casas e carros.

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