Dois Canadair espanhóis ajudam ao combate em Monchique

A situação do fogo que pelo quarto dia lavra na serra de Monchique é "muito mais favorável", mas continua "muito sensível", com vários "pontos quentes". Cinco por cento da área afetada ainda não está controlada. Dois Canadair espanhóis vão ajudar ao combate.

O combate às chamas em Monchique vai ser reforçado com dois aviões Canadair disponibilizados pelo Governo espanhol, que poderão começar a atuar já durante a tarde, disse hoje o secretário de Estado da Proteção Civil.

"Neste momento, o Governo espanhol já disponibilizou dois Canadair. Caso haja condições de atuar, hoje mesmo à tarde, provavelmente, já cá teremos os dois", adiantou Artur Neves aos jornalistas, durante um balanço da situação do incêndio.

De acordo com o segundo comandante operacional distrital de Faro, Abel Gomes, que fazia um balanço perto das 10:00, "neste momento a situação é muito mais favorável do que foi durante a noite", mas mantêm-se "situações que são sensíveis e merecem preocupação", havendo uma limitação no que respeita à atuação de meios aéreos, que não conseguem operar devido ao fumo intenso.

O fogo já consumiu entre 15.000 e 20.000 hectares, mas já foi considerado dominado em 95% do seu perímetro, informou o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro. "A grande progressão de área ardida, que anda neste momento entre os 15.000 e 20.000 hectares, a enorme parte desta área ardida foi ontem a partir das 15:00, 16:00 até à noite", estimou Jorge Botelho.

Jorge Botelho acrescentou que, neste início de tarde, "95% do perímetro do fogo está considerado dominado e há 5% que não está".

O flanco direito do incêndio está agora a progredir para as Caldas de Monchique e o flanco esquerdo na direção de São Marcos da Serra, sendo que parte da cabeça do incêndio progride em direção a sul, à Estrada Nacional (EN) 124, com "várias projeções em direção às Caldas de Monchique e ao Barranco do Barreiro, que provocaram muitas situações complicadas".

Segundo Abel Gomes, que falava na escola onde estão os habitantes retirados das suas casas, após ter passado a "situação de emergência" que se viveu ao final do dia de domingo foi possível realizar um trabalho de "grande intensidade" que durante toda a noite empenhou todos os operacionais presentes no terreno.

O combate às chamas está, contudo, a ser dificultado pelo fumo, que impediu empenhar logo pela manhã a atuação dos meios aéreos. Estes só conseguirão operar em segurança quando o fumo se dissipar, sublinhou.

O responsável adiantou que, desde o início do incêndio, já houve 44 pessoas assistidas, 31 das quais agentes da Proteção Civil e 13 civis.

O fogo provocou até agora um total de 25 feridos, de localidades dispersas, dos quais apenas uma mulher de 72 anos está em estado grave, tendo sido transportada para o Hospital de São José, em Lisboa.

A partir das 12:00 as condições de combate às chamas podem ser dificultadas devido ao agravamento das condições meteorológicas, prevendo-se um aumento da intensidade do vento em direção a São Marcos da Serra.

Na outra frente de fogo, que segue na direção das Caldas de Monchique, a situação "ainda é muito crítica" e "sensível", estando os meios de combate já preposicionados, faltando o apoio aéreo.

O responsável acrescentou ainda não ter confirmação de casas de habitação permanente ardidas, havendo apenas informação de algum edificado afetado, que não conseguiu precisar se são habitações, estruturas de apoio agrícola ou edifícios devolutos.

Para as 11:00 está prevista uma reunião da Comissão Distrital de Proteção Civil, onde participará o comandante operacional distrital, Vítor Vaz Pinto.

Ar irrespirável

Pelas 7:00 eram visíveis várias pessoas nas ruas e bombeiros, que estendidos no chão, aproveitavam para descansar, retemperando forças para voltar ao combate às chamas, que ainda lavram numa das encostas.

Na loja de conveniência de uma estação de combustível, um dos poucos espaços abertos a esta hora e onde foi necessário recorrer a um gerador de eletricidade, populares e alguns elementos da corporação de bombeiros do município vizinho de Silves e também de Olhão faziam uma pausa para o café.

"Ninguém conseguiu dormir. O ar está irrespirável e a preocupação é muita", diz à agência Lusa Jorge Santos, residente na vila de Monchique, perspetivando um resto de dia "muito complicado".

Outros moradores, ouvidos pela Lusa, queixaram-se da atuação dos bombeiros, uma vez que "permitiram que as chamas chegassem tão perto da vila de Monchique".

"O fogo começou a 20 quilómetros daqui. Porque deixaram que crescesse tanto? Além do mais o comando deste incêndio devia ser feito por alguém dos bombeiros de Monchique, não por alguém que vem de Faro e não conhece o território", aponta um dos moradores, enquanto observa todo o aparato que se faz sentir dentro desta vila algarvia.

A circulação dentro da vila de Monchique estava às primeiras horas da manhã condicionada ao trânsito, assim como a estrada nacional 266, proveniente de Portimão.

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