80% ou... 0,4%? A guerra de números da adesão à greve

Em quem acreditar? Patrões e sindicato apresentam números bem diferentes para a paralisação que começou hoje.

A meio do primeiro dia da greve dos motoristas de matérias perigosas e quando o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe o primeiro-ministro, António Costa, para fazer um ponto de situação, saem os primeiros números relativos à adesão a uma paralisação sem data para acabar. 80% estão parados, dizem os representantes do sindicato. Não chega a 1%, garantem os patrões.

A guerra dos números não é incomum, mas nesta caso parece extremar-se de acordo com o lado da barricada de onde saem os registos, com valores bem distintos num momento em que o que se sabe por certo é que Costa ainda afasta a possibilidade de ativas a requisição civil.

"Em Sines temos tudo parado, no Aeroporto de Lisboa o incumprimento é de 75% e da Petrogal saíram apenas 48 das 225 cargas previstas", admitiu, ainda assim André Matias de Almeida, porta-voz da ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) que representa os patrões à mesa das negociações, em declarações à Lusa, apelando a que o governo decrete requisição civil porque os serviços mínimos, diz, não estão a ser garantidos.

Quanto aos motoristas, apontam números bem superiores, "na ordem dos 80% de paralisação", com Pardal Henriques, porta-voz do sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, a sublinhar que a greve pode dura um dia, uma semana ou um mês.

Joana Petiz é jornalista do Dinheiro Vivo.

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