Greve europeia da Ryanair a 25 e 26 de julho

Greve europeia vai afetar voos em Portugal. Tripulantes querem aplicação das leis nacionais e não a irlandesa

Os tripulantes de cabine da transportadora aérea Ryanair vão fazer uma greve europeia nos próximos dias 25 e 26 de julho, informou à agência Lusa a presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

A decisão foi tomada numa reunião, em Bruxelas, entre vários sindicatos europeus para exigirem que a companhia de baixo custo aplique as leis nacionais e não a irlandesa.

Luciana Passo referiu que decorrerá uma conferência de imprensa na Bélgica sobre a marcação desta greve a nível europeu, depois de em abril os trabalhadores baseados em Portugal terem paralisado.

Os sindicatos europeus tinham definido como prazo máximo o dia 30 de junho para que a transportadora aérea de baixo custo respondesse às reivindicações, mas mesmo nesse dia Bruno Fialho, da direção do SNPVAC, precisou à Lusa que a Ryanair continuava sem atender às exigências.

As respostas da Ryanair "continuam a ser as mesmas, que é querer impor regras contrárias à lei portuguesa", criticou o dirigente sindical, acrescentando que "a Ryanair tem de respeitar a soberania portuguesa e não respeita quer a portuguesa, como a espanhola ou a belga".

"Havendo cinco países europeus a realizar a greve, será impossível haver substituição de grevistas, porque não podem ir buscar pessoal a mais lado nenhum"

Questionado se poderá haver substituição de trabalhadores como aconteceu na greve dos tripulantes portugueses no período da Páscoa, o sindicalista respondeu ser "impossível" essa situação.

"Havendo cinco países europeus a realizar a greve, será impossível haver substituição de grevistas, porque não podem ir buscar pessoal a mais lado nenhum", notou.

A Ryanair tem estado envolvida numa polémica desde a greve dos tripulantes de cabine de bases portuguesas por ter recorrido a trabalhadores de outras bases para minimizar o impacto da paralisação, que durou três dias, no início de abril.

As alegadas substituições ilegais levaram à intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Contatada pela Lusa, a companhia aérea tem-se escusado a fazer comentários sobre o final do prazo dado pelos sindicatos.

Em entrevista à Lusa, em 11 de abril, o presidente executivo da Ryanair, Michael O'Leary, garantia que os trabalhadores da transportadora aérea em Portugal preferem continuar com contratos sob a lei irlandesa, uma vez que ganham mais e têm mais dias de licença de maternidade.

A transportadora aérea de baixo custo cancelou 1.100 voos em junho devido às greves e à falta de controladores de tráfego aéreo (ATC), quando no ano anterior esse número tinha sido 41.

A 3 de julho, Kenny Jacobs, da Ryanair, precisou, em comunicado, que "infelizmente, mais de 210.000 clientes da Ryanair viram os seus voos cancelados em junho devido a quatro fins de semana de greves e falta de pessoal da ATC na França, Reino Unido e Alemanha".

Há dois dias foi também divulgado que um grupo de pilotos da Ryanair aprovou, na Irlanda, uma greve de 24 horas para 12 de julho, devido à falta de progressos nas negociações com a companhia aérea sobre as suas condições de trabalho.

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