Greve de enfermeiros já obrigou a adiar 400 cirurgias programadas

Paralisação nacional de cinco dias visa protestar contra o impasse na negociação do acordo coletivo de trabalho, que começou há um ano

A greve de cinco dias dos enfermeiros, que teve início às 00:00 desta segunda-feira, obrigou ao adiamento de "400 cirurgias programadas" no Hospital de São João, no Porto, uma vez que "as 12 salas do bloco central estão encerradas", afirmou fonte sindical. A paralisação está a ter uma adesão entre os 83% e os 96%, disse à Lusa o dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE).

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Correia Azevedo, disse que, nos hospitais do Grande Porto, a adesão é, em média, "superior a 90%" e que os serviços mais afetados por esta paralisação são "os que estão afetos às cirurgias programadas e às consultas".

"O resto do serviço interno está a funcionar a meio gás, porque está sujeito só aos serviços mínimos, ou seja, são prestados os cuidados necessários para garantir a segurança e a vida das pessoas", acrescentou.

De acordo José Azevedo, no Hospital de São João e no Hospital de Vila Nova de Gaia, a adesão à greve ronda os 96%, e no IPO é de cerca de 88%.

No Hospital de Santo António, os dados até agora recolhidos "apontam para uma adesão de 95%, mas ainda estão a ser confirmados", referiu.

A greve nacional de cinco dias visa protestar contra o impasse na negociação do acordo coletivo de trabalho, que começou há um ano.

O protesto dos enfermeiros associados da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), que integra o Sindicato Independente Profissionais de Enfermagem (SIPE) e o Sindicato dos Enfermeiros (SE), visa protestar contra o impasse na negociação do acordo coletivo de trabalho, que começou há um ano.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente da FENSE, José Correia Azevedo, adiantou que a adesão à greve dos enfermeiros "está a ultrapassar as expectativas" e espelha o "o descontentamento muito grande" dos profissionais de saúde.

Segundo os dados avançados por José Correia Azevedo, a adesão à greve no Hospital São João, no Porto, foi de 96%, no Centro Hospitalar Lisboa Central, que integra os hospitais S. José. D. Estefânia e Santo António dos Capuchos foi de 93%.

No Centro Hospitalar Lisboa Norte, que engloba os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, a adesão à paralisação foi de 95%, no Hospital de Guimarães de 91%, no Hospital de Setúbal de 88% e no Hospital Garcia de Orta, em Almada, situou-se nos 93%.

Os dados adiantam ainda que no Hospital Barreiro-Montijo a adesão atingiu os 89%, no Hospital de Évora os 93%, na Unidade Local de Saúde do Algarve os 91%, nos Hospital de Santarém 88% e no Hospital Leiria-Pombal nos 93%.

No Centro Hospitalar do Algarve a adesão foi de 87%, no Hospital de Lamego 88%, no Hospital Nélio Mendonça, na Madeira, 92% e no Hospital Divino Espírito Santos, nos Açores, de 83%.

Os enfermeiros pretendem que seja criada uma carreira especial de enfermagem, que integre a categoria de enfermeiro especialista, e exigem o descongelamento da carreira, lembrando que o Estado deve aos Enfermeiros 13 anos, 7 meses e 25 dias nas progressões

José Correia Azevedo adiantou que os impactos nas consultas e nas cirurgias programadas vão começar "agora de manhã".

"Por exemplo, no Hospital de São João já sabemos que as 12 salas [blocos operatórios] vão fechar o que nos cinco dias vai representar uma anulação de 400 cirurgias" programadas, avançou o dirigente da FENSE e presidente do Sindicato dos Enfermeiros.

Os enfermeiros pretendem que seja criada uma carreira especial de enfermagem, que integre a categoria de enfermeiro especialista, e exigem o descongelamento da carreira, lembrando que o Estado deve aos Enfermeiros 13 anos, 7 meses e 25 dias nas progressões. Exigem também a revisão das tabelas remuneratórias.

"Mesmo que não tenham dinheiro para a pagar atualmente, os sindicatos já propuseram o pagamento em três prestações anuais", disse José Correia de Azevedo.

Os sindicatos garantem que os serviços mínimos serão respeitados.

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