Fenprof alerta: em breve haverá "uma enorme falta" de professores nas escolas

Se o Governo não tomar medidas para contrariar o envelhecimento da profissão, "começarão a faltar professores qualificados nas escolas" portuguesas, diz o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira

O dirigente sindical traçou o diagnóstico numa conferência de imprensa na Escola Rainha Santa Isabel, em Coimbra. "Se o Governo não tomar medidas e se o Governo não resolver [o problema do envelhecimento da profissão docente], vai haver uma rotura tremenda não tarda", afirmou, sublinhando que este ano, só até junho, já se aposentaram "mais professores do que no ano inteiro de 2018". Esta, disse, "vai ser uma tendência".

O secretário-geral da Fenprof explicou que, após o 25 de Abril de 1974, com a democratização do ensino, houve um aumento exponencial do número de professores a entrar para o sistema público, e que agora estão perto da idade de aposentação.

Nesse sentido, "o número de aposentados anualmente vai aumentar brutalmente e vai haver uma dificuldade enorme em colmatar as faltas", vincou.

Face a essa realidade, o Ministério da Educação colocou este ano mais professores para se apresentarem nas escolas no primeiro dia de setembro, do que em 2018 "em todo o 1.º período até 31 de setembro", referiu o sindicalista, notando que há grupos de recrutamento que já "não têm ninguém para as reservas de recrutamento".

Mário Nogueira considera que a desvalorização da profissão e "o ataque permanente aos professores" leva os jovens a não quererem ser professores, o que poderá constituir um problema a breve prazo.

Como exemplo do envelhecimento da profissão, o secretário-geral da Fenprof apontou para o próprio Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, de Coimbra, em que a idade média dos docentes é de 54,4 anos e o número de professores com 65 anos é superior a todos os que têm até 40 anos, que são apenas três (e têm todos 39 anos).

Na conferência de imprensa, a Fenprof também respondeu ao primeiro-ministro, António Costa, que afirmou numa entrevista recente ao Expresso que estaria disponível para negociar com os professores, desde que estes estivessem de "bandeira branca" na mão.

"O senhor primeiro-ministro já devia saber que os professores não se rendem", disse Mário Nogueira.

Segundo o dirigente sindical, os professores estão disponíveis para negociar e dialogar, mas não irão "içar qualquer bandeira branca", enumerando nove bandeiras de luta dos professores para qualquer negociação com o futuro Governo, após as eleições legislativas de 6 de outubro.

Cinco dessas bandeiras estarão presentes num abaixo-assinado que a Fenprof vai pôr a circular nas escolas a partir de hoje e que será posteriormente entregue ao Governo e ao parlamento que saírem das eleições legislativas, informou.

A encabeçar essas exigências está a recuperação integral do tempo de serviço dos professores que falta contabilizar, seguindo-se a necessidade de um regime específico de aposentação, o combate à precariedade, o fim de "abusos" nos horários de trabalho dos docentes e um regime de concursos justo.

Todas as bandeiras vão constar do Caderno Reivindicativo dos Professores e Educadores, documento que deverá ser aprovado na sexta-feira, no Conselho Nacional da Fenprof.

Durante a conferência de imprensa, Mário Nogueira apelou ainda à mobilização dos professores para a manifestação nacional convocada para Lisboa para 5 de outubro, um dia antes das legislativas, naquele que é o Dia Mundial do Professor.