Fecho da estrada defendido por empresários do mármore em 2014

Memorando enviado à Câmara alertava para os perigos e alertava para responsabilidades

Um memorando de um grupo de empresários do setor do mármore enviado à Câmara Municipal de Borba aconselhava, em 2014, o encerramento da estrada que esta segunda-feira ruiu, matando pelo menos duas pessoas, estando mais três desaparecidas.

O documento, noticiado esta terça-feira pelo Expresso, foi assinado por quatro proprietários de empresas pedreiras e surgiram na sequência uma reunião de trabalho promovida pela Direção Regional de Economia com os empresários e com a câmara "no sentido de cortar esta estrada, numa parte que era perigosa", visto que servia, não apenas para acesso às pedreiras, mas para a circulação rodoviária dos habitantes em geral.

Intitulado "Memorando sobre a problemática da Estrada 255 (troço entre km 1,0 e 2,0) - "Segurança e Crescimento Sustentado do Concelho"" e datado de 27 de junho de 2014, o documento afirma preocupação do setor quanto ao "enorme factor de risco da via".

"Há muitos anos que os exploradores das pedreiras contíguas à Estrada Nacional 255, e a Direção Regional de Economia do Alentejo (DREAL), vêm debatendo as questões de segurança da referida via (para os utentes e utilizadores indiferenciados da mesma) e dos trabalhadores das explorações, atendendo às características geológicas que o maciço apresenta nesta zona, nomeadamente no que concerne à sua fraturação e características", lê-se no documento, citado pelo semanário.

A solução para o problema, no entanto, não foi consensual. A encerramento total da estrada era uma possibilidade, mas colocou-se também a possibilidade de realizar obras que garantissem a segurança da via. Só que tal implicava "investimentos extremamente avultados na tentativa de consolidação dos taludes". Algo que obrigaria a "investimentos economicamente inviáveis face à incerteza dos resultados", segundo o documento.

Não houve assim qualquer conclusão da reunião.

Os empresários deixaram, no entanto, um aviso: "Para a Câmara de Borba, proprietária da estrada, será transferido todo o ónus decorrente do que possa suceder em termos de um "colapso' do talude que sustenta a estrada"".

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