Estudantes só se afastam muito de casa se não puderem evitar

Nas três maiores cidades universitárias, os jovens tendem a não se deslocar, mostram dados do governo sobre mobilidade no ensino superior

Um estudante de Lisboa dificilmente deixa de o ser, mostram dados do Governo sobre mobilidade geográfica dos alunos que ingressam no ensino superior, que revelam que nas três maiores cidades universitárias os jovens tendem a não se deslocar.

Se a origem do aluno é Lisboa ou a sua área metropolitana, em 94% dos casos entre aqueles que seguem estudos superiores a opção é tirar um curso na zona onde residem. A quase totalidade dos estudantes de Lisboa não se desloca quando entra no ensino superior.

Os dados revelados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) dizem respeito ao ano letivo de 2015-2016, e mostram comportamentos semelhantes, com percentagens na ordem dos 80%, para os alunos da área metropolitana do Porto e da região de Coimbra, os distritos onde se localiza o maior número de vagas, associado a uma grande diversidade da oferta, dado ser nestas cidades que se concentram as maiores universidades e politécnicos do país.

Os fluxos regionais dos estudantes do ensino superior revelam que estes não se afastam muito da sua zona de residência, mesmo quando têm origem em zonas do país com oferta reduzida, procurando ficar o mais próximo possível de casa.

Lisboa e Porto, as cidades que atraem mais alunos

Não o conseguindo, Lisboa e Porto são as regiões que revelam maior atratividade, sendo que normalmente Lisboa acolhe mais estudantes deslocados com origem no sul do país, na zona oeste e na região da lezíria do Tejo, e o Porto acolhe maioritariamente deslocados no norte do país.

O comunicado da tutela não apresenta explicações para os dados estatísticos apresentados, mas às deslocações para estudar no ensino superior estão associados custos de alojamento, alimentação e transporte, que nem sempre são inteiramente suportados por bolsas de ação social e que acabam, em alguns casos, por justificar o abandono de alguns estudantes, daí que a opção de muitos pareça ser aquela que acarreta menos custos para as famílias.

Dados relativos a 2016-2017 mostram que havia nesse ano no ensino superior público quase 64 mil bolseiros, 33% dos quais (20.980) eram deslocados. Nas instituições de Lisboa e Porto estudavam nesse ano 6.115 alunos bolseiros deslocados, mas a grande maioria (17.105) não estava deslocada da sua zona de origem.

Segundo a tutela em 2016-2017 estudavam em Lisboa e Porto cerca de 50 mil estudantes deslocados, correspondendo a 36% do total de inscritos nas universidades e politécnicos públicos dessas regiões.

Do ponto de vista das deslocações internacionais, entre as instituições de Lisboa e Porto que sofreram cortes são as universidades de Lisboa e do Porto que mais estudantes internacionais atraem, mas numa perspetiva nacional é o politécnico de Bragança que mais estrangeiros capta, com perto de 350 novos alunos inscritos em 2016-2017, um número que supera em mais do dobro a capacidade de atratividade nesse ano das duas universidades que se seguem nessa tabela: Coimbra e Algarve.

África e América do Sul são os grandes pontos de origem de alunos internacionais a estudar em Portugal.

1068 cursos disponíveis

Os alunos que queiram candidatar-se ao ensino superior público têm 1.068 cursos disponíveis, entre licenciaturas e mestrados integrados.

A primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior arranca hoje e termina a 07 de agosto.

As candidaturas, à semelhança de anos anteriores, devem ser entregues 'online', através do portal da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), devendo os candidatos autenticar-se com o cartão do cidadão.

Os resultados da primeira fase de candidaturas são divulgados a 10 de setembro, no portal da DGES, seguindo-se depois uma segunda e terceira fases de acesso.

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