Costa anuncia programa de reordenamento económico na Serra de Monchique

Primeiro-ministro diz que objetivo é reduzir a dependência das "espécie de crescimento rápido" e valorizar a oferta turística. Há apoios, garantiu, para as habitações destruídas. Para já foram identificadas 17 em Monchique

O presidente da Câmara de Monchique vai liderar um grupo de trabalho que será responsável por elaborar um programa de reordenamento económico da serra de Monchique, anunciou o primeiro-ministro hoje à tarde numa conferência de imprensa após reunir com os autarcas de Monchique, Portimão e Silves, os três concelhos afetados pelo incêndio que consumiu cerca de 27 mil hectares. O objetivo, disse António Costa, é diminuir a dependência económica a nível florestal das espécies de crescimento rápido, como o eucalipto, promovendo a diversificação florestal, e também valorizar a oferta de turismo da natureza e as atividades locais, como o medronho.

No apoio imediato, António Costa, que hoje visita as áreas afetadas, garantiu que a Segurança Social terá, a partir da próxima semana, quatro linhas de apoio às populações e que duas unidades móveis vão percorrer as localidades afetadas. As pessoas desalojadas são prioritárias e existem apoios previstos no programa Porta Aberta para a reconstrução de habitações, ou para arrendamento provisório ou definitivo. Costa referiu que, até agora, foram identificadas 17 habitações destruídas em Monchique. Em Silves e Portimão, nenhuma casa foi destruída.

Empresas afetadas por identificar

A agricultura também precisa de ajuda imediata em especial a nível da alimentação animal, com o Ministério da Agricultura a colocar já em prática a distribuição de rações para os animais. As perdas dos agricultores também serão avaliadas para se definir os apoios. No caso dos apicultores haverá distribuição de açúcar.

"Isto requer grande envolvimento dos técnicos com as populações", alertou o primeiro-ministro, realçando que haverá apoio financeiro para restabelecer o potencial produtivo.

No caso das empresas, "ainda não estão identificadas as que foram atingidas". Nos próximos dias os municípios irão apurar quantas sofreram danos, em coordenação com a Comissão de Desenvolvimento Regional do Algarve.

António Costa voltou a dizer hoje que foi mal interpretado quando se referiu o fogo de Monchique foi a exceção numa situação de sucesso. "É absolutamente falso. O que eu disse foi num balanço em que houve mais 600 ignições, com 26 incêndios, este de Monchique foi excecional. Não é diminuir a gravidade. Pelo contrário, sublinhei a gravidade."

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