Coletes amarelos: "Estamos desiludidos porque há mais polícia do que povo português"

Forte presença policial em todo o país devido ao protesto marcado para esta sexta-feira. O protesto está a ser marcado pela fraquíssima expressão. Houve três detidos em Lisboa: um da extrema-direita

Em Lisboa, a manifestação dividiu-se em dois e agora há acusações de que membros do PNR que se terão juntado ao grupo acabou por "estragar" um protesto que estava a ser pacífico. Luísa Patrão, uma das organizadoras, afirmou: "A nossa manifestação foi estragada por um movimento de pessoas da ala de extrema-direita".

Houve três pessoas detidas no Marquês de Pombal, por desobediência e resistência à autoridade e no Porto oito pessoas foram identificadas. Segundo apurou o DN, um dos detidos é membro do PNR, partido de extrema direita. Segundo fonte da PSP, dos 60 a 70 manifestantes que estavam no Marquês de Pombal, cerca de metade eram seguramente pessoas ligadas ao PNR.

Em declarações à TSF, uma das organizadoras, Maria João Oliveira, afirmou mesmo ter sido ameaçada por elementos do partido de extrema-direita. "São pessoas que se estavam a infiltrar. É o PNR que está a tentar desestabilizar, uns senhores a ameaçar outros de morte. Ameaçou-se de morte a mim."

E mostrou desilusão: "Estamos desiludidos porque há mais polícia infelizmente que povo português."

Já Luísa Patrão disse ao DN que faz um "balanço positivo" uma vez que conseguiram parar o trânsito no Marquês "durante um tempo". E reitera: "Desmobilizar não nos passa pela cabeça. Ficamos aqui até que a garanta nos doa, até aguentarmos".

Em relação aos desacatos com a polícia, desmarca-se: "A partir do momento que há violência está não é a nossa manif."

Os coletes amarelos tentaram bloquear o trânsito em vários pontos do país. Ainda assim, destaque para o número muito reduzido de manifestantes. No Marquês de Pombal, em Lisboa, a PSP chegou a cortar o anel central da rotunda, mas agora já tudo circula com normalidade.

Imagem mostra fraca adesão dos manifestantes no Marquês de Pombal, em Lisboa

A Avenida da Liberdade também já está aberta ao trânsito.

As poucas dezenas de manifestantes estavam no passeio, rodeados pela polícia, mas de repente alguns tentaram furar o cordão policial e voltaram à rotunda. A polícia de intervenção chegou ao local, apertou o cerco e as imagens mostram o triplo dos polícias a rodearam cerca de 30 manifestantes.

Um dos manifestantes é José Pinto Coelho, líder do Partido Nacional Renovador.

Na ponte 25 de Abril, constatou o DN, havia uma forte presença da PSP, mas sem coletes amarelos no local.

Junto às portagens da A8, passaram alguns manifestantes, buzinando e exibindo os seus coletes amarelos.

Norte com mais protestos e mais gente

Em Braga a manifestação parece ter mais visibilidade. Todas as entradas no norte da cidade estão bloqueadas por mais de meia centena dade. Segundo constatou a agência Lusa no local, alguns destes coletes amarelos deram pontapés e atiraram garrafas a viaturas que tentaram furar o bloqueio.

Apesar do bloqueio com pesados e ligeiros, existe no local uma "faixa de segurança na via" para a passagem de viaturas de emergência.

No Porto os manifestantes estão agora em marcha pela cidade. Cerca de 150 pessoas dirigem-se para a Avenida dos Aliados.

No Nó de Francos, no Porto, os coletes amarelos chegaram a bloquear a rotunda, tal como captou o jornalista do Diário de Notícias, David Mandim. No entanto, a paralisação durou apenas alguns minutos e os cerca de 50 "coletes amarelos" foram retirados pela polícia pacificamente.

Os elementos desta manifestação têm uma bandeira francesa e estão parados nas passadeiras, provocando algum trânsito nesta zona. Juntam-se também alguns lesados do BES a este movimento, mostrando o seu descontentamento com a corrupção.

O número de manifestantes no Nó de Francos começou a aumentar (pelas 08:23) e a PSP decidiu reforçar-se nesta zona também.

A polícia identificou oito manifestantes do protesto dos "coletes amarelos", junto à rotunda do Nó de Francos, no acesso à cidade do Porto. A Direção Nacional da PSP indica que estes manifestantes foram identificados por "apresentarem tarjas ofensivas e demonstrarem uma postura agressiva". Um destes elementos, foi levado para a esquadra, para verificação, por vestir um colete à prova de bala, acrescentando não haver, até às 10:45, registo de detidos nesta ação.

Ao que o DN apurou, o protesto do Porto esta agora na rotunda da Boavista. Os manifestantes apelam aos automobilistas do Porto para se juntarem ao protesto.

Em Leiria, junto ao Estádio Dr. Magalhães Pessoa, os ânimos estão exaltados, apesar de não haver registo de qualquer desacato.

As imagens do Noticias de Coimbra mostram alguns manifestantes dos coletes amarelos, que tentam impedir a passagem do trânsito da cidade, ocupando as passadeiras. A polícia local tenta mobilizar as poucas dezenas de pessoas que aqui se concentram.

Na rotunda dos Golfinhos, em Setúbal, ainda não apareceram coletes amarelos.

A sul, em Faro, estão cerca de 50 manifestantes nas ruas.

Os protestos dos "coletes amarelos" em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.

Um dos grupos, Movimento Coletes Amarelos Portugal, num manifesto divulgado na quarta-feira, propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.

Não tolerando qualquer ato de violência ou vandalismo, este movimento, que se intitula como "pacífico e apartidário", defende também o combate contra a corrupção.

A lista das manifestações dos "coletes amarelos" na área de atuação da PSP somava 25 protestos em 17 locais das principais cidades do país.

*em atualização

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