Carro que caiu ao Guadiana foi ilusão de ótica do pescador

Pescador pensou ter visto um carro cair ao rio Guadiana na segunda-feira. 30 horas depois, GNR concluiu que não era verdade

Foram 30 horas de intensas buscas em pleno rio Guadiana, junto à Ponte da Ajuda, entre Elvas e Olivença. No terreno estiveram 20 operacionais, entre mergulhadores e os condutores das duas embarcações que varreram a área onde um pescador admitiu ter visto um automóvel ir ao fundo. As operações terminaram esta noite de terça-feira concluindo que se tratou de "ilusão de ótica", segundo avançou ao DN o comandante dos Bombeiros de Elvas, Tiago Bugio.

O comandante recorda como na manhã da segunda-feira esteve "intenso nevoeiro", agravado com o facto daquela zona do Guadiana se caracterizar por "muitos afloramentos rochosos", o que terá estado na origem da "ilusão de ótica, que levou o pescador a alertar para a submersão do "Opel Corsa cinzento", segundo relatou às autoridades.

"Trabalhámos na fonte de alerta desta ocorrência", referiu Tiago Bugio, destacando já ter sido feito o varrimento da zona onde poderia estar o veículo, tendo sido mesmo alargado o perímetro de buscas. O rio foi ainda mapeado com recurso a um íman na tentativa de identificar qualquer superfície metálica, tendo sido também utilizado um sonar à procura de qualquer objeto no fundo do Guadiana.

O comandante admite ainda que se houvesse algum veículo no fundo do rio, 30 horas volvidas já haveria qualquer indício relacionado com vestígios de "óleo, gasóleo ou outro combustível", existindo ainda outro dado a consolidar as suspeitas de falso alarme. Os próprios militares da GNR que investigaram com a polícia espanhola algum desaparecimento na zona da raia também não apuraram qualquer registo relativo a pessoas ou viaturas. Por tudo isto, diz o comandante elvense, "nesta fase nada indica que estejamos perante uma situação real".

Questionado sobre o procedimento que se segue num caso com estas características, Tiago Bugio encaminha o assunto para as autoridades, mas admite que não deverá lugar a qualquer tipo de crime, justificando que o pescador é conhecido pela GNR por pescar regularmente neste local e que "agiu na sua boa vontade ao ser confrontado com uma situação anormal no rio".

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