Calor. "É impossível fazer a vida normal do turista"

Em Belém, os turistas continuam a visitar os monumentos nacionais apesar de atrasarem o passo.

Portugal bateu na sexta-feira recordes de temperaturas máximas num terço do país. E Lisboa não escapou à onda de calor. Visitar a capital portuguesa tornou-se um desafio para quem veio conhecer o melhor destino turístico do mundo, segundo os World Travel Awards. Mas como o tempo não para, o passeio continua de chapéus na cabeça, garrafa de água na mão, roupa fresca e protetor solar na mala.

Em Belém, um dos locais turístico por natureza da capital portuguesa, passeiam centenas de pessoas de todas as nacionalidades, mesmo que sejam 17.00 e que o calor não dê tréguas. Em frente à entrada principal do Mosteiro dos Jerónimos, os turistas formaram a já habitual fila. Sidilei Souza é segurança do monumento mandado edificar por D. Manuel I e tem a sensação de que nesta sexta-feira não receberam menos visitas por causa do calor. "Eu fico impressionado com o tempo que eles [turistas] aguentam na fila. Se estiverem no fim da fila podem esperar até duas horas", conta o segurança.

Azzurra, Daniele, David e Luca acabam de visitar o monumento nacional. O grupo de amigos italianos está impressionado com a arquitetura. Dali seguem para a Torre de Belém, porque o calor não os para. "Em Itália, está mais calor do que aqui", diz Daniele Ermi. "Bebemos água, comemos gelados, paramos mais vezes, mas continuamos", acrescenta. E continuaram.

Em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, Sara Cardoso vende sumos e caipirinhas, numa pequena banca, maioritariamente a turistas. Hoje vendeu menos, acredita que os estrangeiros estão a preferir espaços interiores com ar condicionado. E mesmo os que por ali passam destoam daquilo a que está habituada: "Eles [turistas] estão cansados e pouco faladores. Acho que não estão tão entusiasmados. Às vezes uma pessoa fica aqui a falar com eles, mas hoje é tudo mais estranho: pegam nas coisas e vão-se embora."

As bebidas que Sara vende podem não estar a atrair os turistas de Belém, mas os vendedores de gelados não se podem queixar do mesmo. É precisamente de uma banca de gelados que acabam de sair Cristina Figueiraz e Angie Amil, cada uma com um cone na mão, que ainda agora saíram da máquina e já estão prontos a derreter. Preferiram a fila para os gelados à do Mosteiro dos Jerónimos. As galegas vão estar em Lisboa de férias durante uma semana e tinham pensado visitar o monumento, mas recuaram perante o tempo que tinham de esperar à torreira do sol: "Havia muita fila e tinha de se esperar ao sol. Não aguentámos", diz Cristina.

"Está tanto calor que não nos conseguimos mexer. É impossível fazer a vida normal do turista, que anda de um lado para o outro. Temos de parar muito", lamenta Angie. Arrependem-se de ter vindo nesta semana? "Não", respondem prontamente. "Com o trabalho é difícil tirar férias, portanto há que aproveitar os dias. Mentalizamo-nos e andamos mais devagar."

A francesa Déthié Gueye tem a mesma opinião, mas menos tempo para conhecer a capital portuguesa. Veio de Marselha e tem apenas três dias para visitar Lisboa. É a sexta na fila do bebedouro público do jardim da Praça do Império, que fica em frente ao mosteiro. Parou para voltar a encher a garrafa de água, ajeitou o boné, repôs o protetor solar e está pronta para continuar. Próxima paragem: Castelo de São Jorge.

Déthié segue para a zona nobre da antiga cidade medieval. Maybelline Yeo veio precisamente de lá. Chegou ontem a Portugal vinda do Japão. "Lá também está muito calor agora. Estão cerca de 39 graus, mas é um calor mais húmido", diz. Maybelline Yeo está informada de que amanhã pode ser o dia em que as temperaturas vão estar mais elevadas durante esta vaga de calor. Por isso, planeia passar as horas mais críticas no interior de um centro comercial. Para passear por Lisboa só à noite.

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