A pedido do cônsul, PSP vai garantir segurança da votação dos brasileiros em Lisboa

A PSP vai garantir a segurança, este domingo, na Faculdade de Direito durante a votação na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil. Além do pedido do cônsul, uma petição de cidadãos brasileiros já solicitara ao Governo que garantisse a segurança.

"A PSP garantirá a segurança (no exterior) junto à assembleia de voto instalada no edifício da Faculdade de Direito durante o dia das eleições, sensivelmente entre as 08:00 e as 20:00", indicou o gabinete de relações públicas da polícia, em resposta enviada à agência Lusa.

Segundo a polícia, "os detalhes sobre a realização da votação e preocupações inerentes foram inclusivamente objeto de uma reunião preparatória com a embaixada de República Federativa do Brasil em Lisboa".

Em entrevista à Lusa, o cônsul do Brasil em Lisboa disse ter pedido à PSP uma "presença mais contínua" junto à Faculdade de Direito de Lisboa no próximo domingo, local de votação na capital portuguesa, para a segunda volta das presidenciais brasileiras.

"Como medida cautelar, entrei em contacto com a Polícia de Segurança Pública e pedi que eles colocassem a hipótese de, no segundo turno, haver uma presença mais contínua, se possível permanente na frente da Faculdade", onde votarão os imigrantes brasileiros da área consular de Lisboa, afirmou José Roberto de Almeida Pinto.

O diplomata sublinhou que "se há um ambiente de polarização numa eleição é preferível, que, por precaução, e se for possível, se conte com uma presença mais continua da PSP".

A segunda volta das presidenciais brasileiras será disputada pelo candidato do Partido Social Liberal (PSL, extrema-direita) Jair Bolsonaro, que lidera as últimas sondagens, e o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), Fernando Haddad.

Roberto Almeida Pinto acredita, porém, que "os brasileiros saberão votar com espírito cívico, como sempre fizeram". E o próximo domingo, dia 28, data em que se realiza a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, será, diz, "mais um dia de festa da democracia brasileira".

Esta quinta-feira, cerca de 370 brasileiros residentes em Portugal pediram ao Governo português, numa petição, que garanta a segurança na votação para as eleições presidenciais do Brasil, este domingo, relatando um clima de medo na primeira volta.

A petição foi lançada por uma comissão de estudantes e investigadores brasileiros da Universidade de Coimbra, solicitando às autoridades portuguesas e à embaixada brasileira que tomem as devidas providências para que não ocorra qualquer situação de "apologia ao fascismo, tentativa de intimidação ou desrespeito à diversidade ideológica que se possam instaurar", na votação deste domingo, em Portugal.

De acordo com o texto da petição, na primeira volta, a 7 de outubro, registaram-se tentativas de intimidação, na Faculdade de Direito de Lisboa, local da votação.

Na primeira volta das eleições presidenciais em Lisboa houve uma participação de quase 35% dos eleitores (34,9%), segundo o cônsul geral do Brasil em Lisboa.

Em Portugal estão aptos a votar cerca de 40 mil brasileiros (39.118), segundo dados do consulado do Brasil na capital portuguesa.

No total, são quase mais 10 mil recenseados do que em 2014.

As urnas em todos os locais de voto em Portugal abrem às 08:00 e encerram às 17:00.

Dos 40 mil brasileiros que podem votar em Portugal, mais de metade (21.195) vota em Lisboa.

Na Faculdade de Direito de Lisboa, na Alameda Universitária, único local de votação nesta área consular, vão estar disponíveis 27 secções eleitorais, tal como na primeira volta.

Em 2014, na jurisdição eleitoral do consulado-geral em Lisboa, estavam recenseados 17.286 eleitores.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.