MP instaura inquérito sobre acidente de Borba. 59 operacionais no terreno

Duas vítimas mortais confirmadas, pelo menos quatro desaparecidos e forças especiais no local em que abateu esta segunda-feira um troço da estrada que liga Borba a Vila Viçosa, no distrito de Évora

O comandante José Ribeiro, do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora, descreveu nesta terça-feira as condições da intervenção de "desobstrução e desencarceramento" no fundo da pedreira junto ao troço de cerca de 100 metros da estrada nacional 255, que liga Borba a Vila Viçosa e que abateu esta segunda-feira. Para garantir as condições de segurança dos 59 operacionais no terreno, "cada passo, cada ação, tem ser muito ponderado", afirmou o comandante.

Num dos locais da pedreira, segundo José Ribeiro, está "uma máquina giratória e duas gruas já instaladas, vamos instalar motobombas de grande capacidade para drenar a água naquele poço, e se as condições de segurança o permitirem iremos também iniciar uma delicada operação de desencarceramento e desobstrução com apoio de uma grua. No outro local da pedreira, onde ocorreu o deslizamento mais significativo de massa, iremos utilizar equipamento de deteção com o apoio de uma grua que nos permita identificar o local onde está a ou as viaturas."

António Anselmo, presidente do município de Borba, afirmou na mesma conferência de imprensa que "a prioridade é tirar os corpos e enterrá-los como merecem".

Entretanto, o Ministério Público confirmou ao DN que "instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias que rodearam a ocorrência".

Marcelo Rebelo de Sousa já visitou o local do acidente, onde permaneceu durante 15 minutos, sem prestar declarações aos jornalistas.

O motivo do atraso do começo dos trabalhos prende-se com a falta de condições de segurança para as equipas no terreno. No local, estão duas equipas, uma força especial de bombeiros, os chamados canarinhos, e o regimento de engenharia n.º 1 de Tancos, especialistas em resgates.

Perspetiva-se um trabalho demorado, até porque nesta altura é plausível a necessidade de vir a ter de remover todas as pedras ruídas, sendo que algumas pesam toneladas. Para complicar, lembre-se que a pedreira tem dezenas de metros de profundidade e que a chuva que se sentiu durante a madrugada também não ajuda aos trabalhos de resgare.

Nesta altura, estão confirmadas duas vítimas mortais, os trabalhadores que estavam dentro da retroescavadora, sendo que um deles faria esta terça-feira 58 anos. Em relação aos desaparecidos, deverão ser quatro, assim como duas viaturas, mas não existem quaisquer certezas.

Celestino Silva, conhecedor da zona e trabalhador no setor dos mármores, conseguiu furar a barreira de segurança para ir espreitar o fundo da pedreira, onde há pedras acumuladas com cerca de 15 toneladas. "Viam-se as pedras que foram arrastadas pelo abatimento da estrada. Esses blocos foram parar dentro da pedreira, sendo que alguns foram parar dentro de água e não se veem. Penso que a profundidade da lagoa é de muitos metros, de 40 a 50 metros. Isso leva muito tempo a tirar. Terão que ser retiradas pedra a pedra e com máquinas com características próprias. E o acesso a essas máquinas também não será fácil", contou ao DN. "Passo aqui com frequência. Havia sempre receio quando se passava por aquele ponto, porque a margem entre a estrada e o declínio da pedreira era mínimo", acrescentou.

Já durante a manhã desta terça-feira elementos da engenharia militar, Proteção Civil, especialistas em geologia e minas e técnicos das próprias empresas de extração de mármore reuniram para definir pormenores dos trabalhos a realizar.

Está previsto um briefing para as próximas horas no quartel dos bombeiros de Borba.

em atualização

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