Bombeiros de Évora denunciam falhas graves no socorro do INEM

"Está em causa a segurança das pessoas" com a ausência de respostas a pedidos de auxílio, aponta a Federação de Bombeiros do Distrito de Évora. INEM rejeita acusação e diz que se confunde o 112 com o serviço do INEM. "Nenhuma chamada que entre no sistema fica sem resposta", garante

Já tinha acontecido o caso de Estremoz, no sábado, em que seis jovens ficaram feridos, dois com gravidade, quando um incêndio ocorreu e o seu pedido de socorro, via número 112, não teve resposta. Agora, a Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora descreve mais três casos, ocorridos entre domingo e hoje, em que alegadamente o INEM não deu resposta ou nem sequer houve atendimento da chamada no serviço 112. Inácio Esperança, presidente desta federação de bombeiros, aponta que os casos estão a suceder-se em concelhos como Vila Viçosa, Portel ou Évora. O INEM rejeita estas críticas e diz, em resposta ao DN, que "nenhuma chamada que entre no sistema dos CODU fica sem resposta."

"São situações graves, em que se está a pôr em causa a segurança das pessoas. As pessoas pedem auxílio e não têm resposta", assegurou ao DN Inácio Esperança, tendo em conta que o volume de chamadas deve ser elevado, nesta pico de Verão, mas tal não pode ser justificação. "O nosso objetivo ao denunciar esta situação é alertar as pessoas para, em caso de falha no atendimento dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), devem ligar diretamente para os bombeiros. Não ficam sem socorro, as nossas ambulâncias saem logo", garante o dirigente associativo.

A federação dá o exemplo de um caso no domingo, em Vila Viçosa. Duas chamadas "foram efetuadas para o 112, uma por um elemento da GNR de Vila Viçosa" devido a uma queda no Largo Gago Coutinho. Como ninguém atendeu "acabou por ligar para o nosso quartel a pedir socorro". Já hoje de manhã, um homem com problema pulmonar só foi transportado para o Hospital de Évora após o filho ligar para os bombeiros, dada a ausência de resposta. Também hoje, em Bencatel, uma queda com suspeita de traumatismo craniano teve de ser socorrida pelos bombeiros, após o contacto com a central do 112 ter ficado sem resposta.

"Percebemos que haja muitas chamadas mas o INEM deve ter um plano B. Se não consegue dar resposta deve reencaminhar para os bombeiros. As pessoas ficarem sem socorro é que é impensável", considera Inácio Esperança, relatando que os bombeiros têm recebido várias denúncias e testemunhos de pessoas a queixarem-se dos atrasos. "Os bombeiros, muitas vezes, chegam ao local meia hora depois, devido a estes problemas, e são criticados pelas pessoas, desesperadas, quando nem têm culpa."

O INEM rejeitas estas críticas. Fonte oficial clarifica que as acusações da federação de bombeiros misturam situações. "As chamadas efetuadas para o 112 (Número Europeu de Emergência) são atendidas por elementos da PSP e pela GNR, nas Centrais de Emergência 112. Apenas quando a situação constitui uma emergência de saúde (doença súbita, acidente com feridos, etc.) é que a chamada é transferida para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM. Nestas Centrais Médicas é então realizada a triagem clínica da situação e são encaminhados para o local os meios de emergência médica mais adequados para responder à situação", explica o INEM.

"O INEM lamenta que a Federação de Bombeiros do distrito de Évora dê conta de chamadas realizadas para o 112 que alegadamente não foram atendidas, associando erradamente essa falha no atendimento ao INEM. Lamenta ainda que a referida Federação não tenha feito chegar qualquer informação ao INEM a propósito destas situações", acrescentou a fonte ao DN.

Neste contexto, o INEM garante "à população que nenhuma chamada que entre no sistema dos CODU fica sem resposta, que os cidadãos podem e devem confiar no INEM e no sistema integrado de emergência médica, e que em caso de acidente ou doença súbita devem sempre ligar 112, o Número Europeu de Emergência".

Calor faz disparar chamadas

As chamadas para a emergência médica tiveram um "aumento substancial" nos últimos dias, tendo-se registado mais 20% de telefonemas para o 112, disse fonte oficial do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) acrescentando que o aumento das chamadas para os CODU está originado "sobretudo pelo agravamento de situações de doença crónica".

Segundo o INEM disse à Lusa, o aumento "muito substancial" do número de chamadas de emergência e a consequente ativação de meios "justifica-se pela onda de calor verificada nos últimos dias". O aumento correspondeu a "umas significativas" 764 chamadas a mais, por dia, entre quarta-feira e domingo, comparando com o período homólogo do ano passado.

O aumento do número de chamadas teve "naturalmente impacto" no funcionamento dos CODU, apesar do "reforço de operacionais", que tiveram um "esforço acrescido", adiantou a fonte do INEM. "Naturalmente que os tempos de espera para atendimento das chamadas são mais elevados, em consequência do acréscimo muito significativo da procura dos serviços de emergência médica."

Mas acrescentou que "nenhuma chamada fica sem resposta", até porque o sistema "call-back" permite recuperar chamadas desligadas ou que caíram antes de serem atendidas, havendo profissionais com a função específica de fazer essas chamadas de volta.

(Notícia atualizada às 23.54)

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