Suspeitas de fraude com donativos de Pedrógão seguem para o MP

Cerca de meio milhão de euros dos donativos às vítimas do incêndio terão sido usados de maneira fraudulenta, até em casas que não arderam ​​​​

Maria João Caetano
Casas destruídas pelo fogo na região de Pedrógão Grande© Henriques da Cunha / Arquivo Global Imagens

Cerca de 500 mil euros, oriundos de donativos para as vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, em 2017, poderão ter sido usados indevidamente na recuperação de casas não prioritárias, revela a revista Visão na sua edição de hoje.

Em declarações à RTP, Ana Abrunhosa, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, diz que vão enviar para o Ministério Público as suspeitas de reconstrução indevida de casas em Pedrógão Grande: "Como é óbvio. Como faremos com todas as denúncias que nos chegarem", disse, sublinhando que essas queixas podem ser feitas diretamente por todos os que se sentirem lesados.

A Visão garante que terão sido recuperadas casas que não eram de primeira habitação ou que estavam desabitadas, e outras que se encontravam em mau estado, mas que nem terão sido afetadas pelas chamas. De acordo com a revista, os regulamentos terão sido contornados com base num expediente: a alteração das moradas fiscais, já depois da data dos fogos, para que habitações não permanentes fossem tomadas como primeiras casas.

À Visão, Ana Abrunhosa admite: "Os interlocutores-base eram os municípios e nós não temos motivos para desconfiar. Tentámos articular a informação, mas não posso garantir que, por outros motivos, até uma casa que não tenha ardido não tenha sido apoiada".

O incêndio que deflagrou em junho de 2017, em Pedrógão Grande, provocou 66 mortos e mais de 250 feridos, sete dos quais graves, e destruiu meio milhar de casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas

O incêndio que deflagrou em junho de 2017, em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que alastrou a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e mais de 250 feridos, sete dos quais graves, e destruiu meio milhar de casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

De acordo com os últimos dados do Fundo Revita, estão já concluídos os trabalhos de reconstrução de 160 das 261 casas de primeira habitação afetadas pelos incêndios de junho de 2017, pelo que se encontram ainda em obras 101 habitações.

Criado pelo Governo para apoiar as populações e a revitalização das áreas afetadas pelos incêndios ocorridos em junho de 2017, o fundo recebeu já o contributo de "61 entidades, com donativos em dinheiro, em bens e em prestação de serviços", destacando-se nos últimos três meses a adesão do município de Castanheira de Pera, com um apoio de 12.978,63 euros.

Assim, "os donativos em dinheiro ascendem a 4.409.878,69 euros", ao qual se junta uma verba de 2.500.000 euros disponibilizada pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social, apurou o relatório do Fundo Revita.