Hells Angels. PJ recolheu ADN e fotografou todas as tatuagens dos 59 detidos

O técnicos do Laboratório de Polícia Científica guardaram impressões digitais, amostras de ADN e fotos de todas as tatuagens dos 59 detidos

Valentina Marcelino
© REUTERS/Kai Pfaffenbach/File Photo

Foi um processo minucioso e longo, o da identificação dos 59 Hells Angels detidos na megaoperação da PJ. Os técnicos do Laboratório de Polícia Científica - o CSI da investigação criminal - não tiveram mãos a medir para fazer a, tecnicamente designada, "resenha" dos suspeitos. Desta vez, com a novidade de poderem recolher amostras do ADN. Esta recolha é feita esfregando uma zaragatoa na boca dos detidos.

Um a um, foram sujeitos também a um registo das suas impressões digitais, a fotografias de perfil e de frente e quem tinha tatuagens também as viu serem detalhadamente fotografadas.

Todos estes dados são guardados pelo LPC. No caso dos perfis de ADN, podem ser cruzados, com autorização da autoridade judiciária (que pode ser o Ministério Público), com outras amostras ainda não identificadas, ligadas a outros crimes. Ou seja, no limite, ainda podem vir a ser descobertas ligações de alguns destes Hells Angels a outras situações de criminalidade.

A alteração à lei que regulamenta os perfis de ADN, em vigor desde agosto do ano passado, veio permitir que esta recolha deixasse de ser possível apenas com autorização do tribunal. Nos casos de terrorismo, criminalidade violenta ou altamente organizada (como é este o caso) a PJ já pode recolher com estes registos.

A lei da base de dados de ADN está em vigor desde 2010, mas foi considerada por vários peritos como demasiado limitativa para a investigação criminal, face aos outros países europeus. Em causa estava, principalmente, o facto de só ser permitido inserir perfis de condenados e dos arguidos só com autorização do juiz. Uma estimativa inicial apontava para que houvesse por ano cerca de 30 mil perfis inseridos na base de dados, ficou muito aquém do previsto, conforme reconheceu o presidente do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, Francisco Corte-Real.

A base de dados de ADN para fins de investigação criminal e identificação civil inseriu 8.139 perfis em sete anos de existência, das quais 5.820 são de condenados (71%).